
Obrigatório levar uma peça de roupa branca VESTIDA
No seu 5.º Convívio
Combatentes de Tábua honraram os seus camaradas mortos
É usual a Associação de Combatentes do Concelho de Tábua celebrar anualmente o seu aniversário no dia da implantação da República, acontecimento histórico ocorrido no 5 de Outubro de 1910.
Foi em data tão marcante da história pátria que o País teve uma nova vida, vida que se prolongou no tempo, sem que ao longo de décadas os caminhos não tivessem espinhos, que aqui e acolá não tenham sido sanadas algumas feridas, mas que, entretanto, outras fossem abertas, que durante anos minou a juventude portuguesa. Primeiro foi a I Grande Guerra, que atirou para as trincheiras de Flandres, em França, durante quatro anos, os jovens dessa altura; e posteriormente, passados que foram 43 anos, mais propriamente em 1961, nova afronta minasse a juventude portuguesa, com a iniciação da denominada Guerra do Ultramar, que se iniciou na Índia e se estendeu depois às colónias de Angola, Moçambique, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor.
Até 1974 foi uma guerra que deixou marcas na Juventude Portuguesa. Passados 50 anos, essas mazelas ainda permanecem nalguns desses jovens – hoje já septuagenários ou sexagenários – ou vieram mutilados e minados pelo chamado Stress de Guerra, enquanto alguns milhares não chegaram a ver a sua terra, a sua família, os seus amigos. E são esses, que verteram sangue em defesa da Pátria, que as diversas Associações de Combatentes tentam, ao longo dos tempos, recordar a sua memória, erigindo monumentos ou incluindo os seus nomes nas toponímias da aldeia que os viu nascer e viu crescer, até que um dia abalaram para uma guerra que não era sua, mas que envolvia a defesa da soberania nacional, cuja Pátria antes tinha já dado heróis nas diversas contendas desde o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.
Só que, passados estes anos, os diversos Governos da Nação tentaram encobrir a Guerra do Ultramar, esquecendo os que tudo deram, tendo apenas como conforto e ânimo os símbolos fortes da Bandeira e do Hino Nacional.
Aliás, nestas comemorações, depois de António Carvalho Nunes, Presidente da Associação de Combatentes do Concelho de Tábua, ter pronunciado algumas palavras sobre o momento e deixado alguns alertas em defesa daqueles que ainda sofrem, não esqueceu os soldados fortes que ali têm inscritos os seus nomes em placa bem visível, os quais leu individualmente, em voz alta, e que toda a assistência retorquiu: “Presente”!... É por eles (os 21 soldados que ali têm o seu nome), como disse, que “estamos aqui, para que a sua memória não seja esquecida”.
Também o Presidente da Câmara de Tábua, Eng. Ivo Portela, ao falar dos valores que a República introduziu no Pais, elogiou a bravura dos nossos Combatentes, sendo obrigação da autarquia “em manter viva a chama que recorda aqueles que morreram pela Pátria”.
Após a colocação de coroas e ramos de flores no monumento, por Associações presentes e familiares, o edil tabuense convidou todos a assistir ao simbolismo do hastear da Bandeira e ao toque do Hino Nacional, cerimónias que ocorreram nos Paços do Município, com a participação da Fanfarra dos Bombeiros locais e da Tuna Mouronhense.
Depois, teve lugar o almoço de confraternização, na sede da Comissão de Melhoramentos da Freguesia de Carapinha, repasto que foi bem servido pelo Restaurante “Manjar”, de Arganil.
No final ainda houve tempo para alguns oradores marcarem com as suas intervenções o forte apego que todos têm nestes momentos de convívio, marcados através de conversas saudosas de outros tempos. Se Rogério Neves, presidente da colectividade, dispôs as instalações para mais iniciativas do género, o Presidente da Associação de Arganil, Leonel Costa, teceu fortes críticas à forma como “os altos comandos” vêem o Combatente, sobretudo aquele que sofre ainda na carne as agruras desse tempo, e Fernando Carvalho Andrade, Presidente da Assembleia-Geral da Associação de Tábua, teceu algumas considerações sobre o Combatente, quer o que combateu na Flandres, quer o que combateu em África, sendo de opinião que todos são Combatentes e por isso todos merecem respeito.
O momento terminou com música, graças à participação da Escola de Música da Moita da Serra.
O 6.º Convívio da Associação de Combatentes do Concelho de Tábua, segundo o seu Presidente de Direcção, terá lugar, em 2011, em Póvoa de Midões.
Como se trata da Banda do Exército, da Região Militar do Norte, não será descabido incluir nesta rubrica a sua presença no fecho das cerimónias do feriado municipal de Oliveira do Hospital, actos que evocaram também os 100 anos da implantação da República.
Foi na Praça do Município que se evocou a República e na Praça Ribeiro do Amaral as restantes cerimónias, tendo pelo meio o hastear da Bandeira Nacional, uma gigante bandeira, diga-se, que antes de subir ao mastro teve sob as suas cores centenas de crianças, que ao mesmo tempo entoaram o nosso Hino, tocado pela maravilhosa Banda do Exército.
Registe-se ainda que na parte da manhã, em sessão solene, foram homenageados personalidades que em diferentes sectores da vida local evidenciaram as cores das comunidades Oliveirenses. Foram eles: Aristides Gonçalves Costa, de Avô; Correia Dias, de Seixo da Beira; Carlos Pires e a Associação Recreativa e Desportiva de Nogueira do Cravo.

A Associação de Combatentes do Concelho de Arganil foi convidada pela sua congénere de Tábua para estar presente no seu 5.º convívio, que vai realizar-se no dia 5 de Outubro de 2010, convite que foi aceite pela sua Direcção, em reunião efectuada no dia 23.
O programa do convívio está assim delineado:
9.30 horas, homenagem aos militares falecidos, cujos nomes se encontram inscritos no monumento, em Tábua;
11 horas, Missa celebrada na Igreja Matriz da Carapinha, em cuja localidade,
12 horas será efectuada uma romagem ao cemitério e meia hora depois descerramento de placa que homenageará os militares daquela freguesia falecidos, dando o nome de Largo dos Combatentes.
13.30 horas é servido o almoço de confraternização, na sede da COMECA (Comissão de Melhoramentos da Carapinha).
As inscrições podem ser feitas, marcando o número para:
Octávio (Café Central de Mouronho), 235711870-962552330;
Abílio (Carapinha), 235711820-235712300;
Aníbal Martins (Café da Pereira), 235711820-961076366;
António Fonseca (Leitaria-Tábua), 235412191;
Junta de Freguesia de Carapinha, 235713737.
A subida do Rio Douro “Régua a Barca D’Alva”.
Dois Autocarros, com cerca de 72 pessoas (27 de Oliveira do Hospital) , rumaram de Arganil até à Régua. Passeio atractivo e com muita alegria e convívio, como já é hábito da Associação.
Todos os presentes se divertiram, contando para isso com a participação de mais dois grupos que viajavam no mesmo barco “Transdouro”.
Um dia bem passado e bem animado. Não faltando o baile a bordo.
De regresso tivemos que fazer uma paragem em Celorico para devastar os vários sacos de farnel que cada um levava.
Nunca será demais salientar aqueles que tudo fazem para acudir ao sofrimento que alguns Combatentes do ex-Ultramar Português contraíram com as guerras nele desenroladas, sobretudo o chamado Stress de Guerra, não falando dos mutilados, já que dos mortos esses nada sentiram ao longo destes anos, a não ser a dor pungente que deixaram aos familiares, perdendo um ente querido em plena flor da idade.
No dia 4 de Setembro de 2010 foi lançado o livro com o título
Se Alfredo Fonseca já possui no seu bornal o lançamento de dois livros – “Memórias do Sofrimento”, em 2001 e “Pegadas dos Meus Pés”, em 2006 - continua na senha de escritos, os quais ficarão na memória de quantos sofreram na pele e na carne os anos passados em terras africanas.
A esta cerimónia participaram os Presidentes da Câmara Municipal de Penacova (Dr. Humberto Oliveira) e da Junta de Freguesia de S. Pedro de Alva (Luís Adelino), ambos tendo, na altura própria, realçado os valores humanos do escritor, evidenciando ainda as suas virtudes quanto ao seu apego a S. Pedro de Alva, não só como autarca, cujo trabalho relevaram, como no associativismo, concretamente a acção que vem desenvolvendo na Casa do Povo.
Falando de memória, há que registar as palavras da Dr.ª Maria Leonarda Tavares, de Arganil, que fez a apresentação do livro. Sendo esposa de um paraplégico, de nome Rui Morgado, um dos muitos que ainda vivem com as agruras e o sofrimento dessa guerra, recordou que foi desde 1968 “que a guerra também entrou na minha vida; e tenho lutado pela vossa causa que é também minha”. Estando ali a convite do autor, porque sabendo “o quanto tenho vivido o sofrimento de muitos dos que regressaram de África feridos no corpo e na alma”, recorda que o autor do livro “aponta o dedo aos senhores que nos governam por se alienarem desta questão e por abandonarem os ex-Combatentes à solidão da injustiça nunca assumida, nem resolvida”. Frisando que foi dentro do muito sofrido e muito duro e em situações de extrema dificuldade que se gera “uma coesão que perdura pela vida fora”, Leonarda Tavares reforça que “Quem ler o relato dos acontecimentos de Alfredo Fonseca não olvidará jamais os momentos mais impressionantes: a fome, as longas e penosas caminhadas, as saudades da família e dos amigos, a angústia de enfrentar o desconhecido, o perigo sempre iminente, o sofrimento dos camaradas feridos e pior ainda perder para sempre os que morreram a seu lado”. Concluindo as suas palavras, a apresentadora do livro enfatiza que “o sr. Alfredo Fonseca tem contribuído para que a memória da guerra não se apague. É um trabalho de cidadania responsável; é o esforço de um homem lutador que não desiste do reconhecimento que lhe cabe por direito, a si próprio e aos seus camaradas. Que a vida lhe conceda a paz de um dever bem cumprido que tem sabido partilhar com os outros”… e parabéns e obrigada por esta corajosa herança”.
Nesta sessão a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil esteve representada pelo seu porta-voz José Travassos de Vasconcelos, amigo de há muitos anos de Alfredo Fonseca.
Recorde-se que Alfredo Fonseca, depois de agradecer a presença de todos, deixou o desabafo de que já lançou a ideia de no concelho de Penacova se formar uma Associação de Combatentes, mas tem encontrado, segundo o próprio, o desinteresse daqueles que mais deviam fazer força para que a iniciativa vingasse.
Soubemos ainda que o autor deste livro tem em mãos um outro, sendo este relacionado com a história da sua freguesia – S. Pedro de Alva.



Ao lerem este título, dirão alguns: O que tem a ver a Filarmónica com a Associação de Combatentes? É simples. É que na banda arganilense militam Combatentes, quer executantes, quer dirigentes e, por isso, não fica descabido de, neste “Sítio”, mencionarmos o grande momento que a Instituição e a Comunidade viveram antes da realização da Procissão de Velas.
Oferecida pela arganilense professora e escritora Albertina Jorge Figueiredo, irmã de três executantes da banda (também combatentes), tia e cunhada de dois dirigentes, a bandeira foi benzida pelo nosso cónego reitor Manuel da Silva Martins, bênção que foi enriquecida com palavras muito honrosas para com a sua benfeitora.
Com a nossa vila em pano de fundo, a cerimónia foi muito enriquecedora social e culturalmente, pois a nossa banda, ao longo de 158 anos tem sido o emblema forte e vivo da cultura arganilense e por ela têm passado diversas gerações.
Registe-se que a bandeira agora substituída já datava de 1953 e neste andamento necessitava de ser substituída. Que o diga o seu porte bandeira, Horácio Ribeiro: Cada vez que lhe pegava o cuidado era sempre pouco.
Em nome da Associação dos Combatentes, aqui fica um forte e sentido aplauso à professora Albertina, por este gesto benemerente, pois demonstra, tal como seus irmãos e demais familiares, um forte carinho pela sua, pela nossa querida Filarmónica.
Como já vai sendo usual, a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil estará presentes na FICABEIRA 2010, com um stand, onde os sócios e amigos poderão conviver e pôr em dia as suas obrigações para com a Associação, neste caso o pagamento de quotas. Sobre esta permanência daremos mais pormenores.
Como se sabe, a Feira decorre entre sábado dia 4 e quarta-feira dia 8.
Segundo convite endereçado à Associação para estar presente, tem lugar no dia 5 de Outubro de 2010, o 29.º Convívio Nacional dos Antigos Combatentes da Guiné. O local do encontro está aprazado para o Complexo Turístico D. Nuno, Estrada de Minde, n.º 326 – Boleiros – 2495-308 Fátima. As inscrições podem ser feitas através de 966003293 ou 232183926. Quem desejar escrever, põe fazê-lo para: Isaías Peralta – Apartado 42 – 3534-909 Mangualde.
Mais informações sobre o convivio: AQUI:
http://www.combatentesdaguine.blogspot.com/
Já escrevemos neste sítio sobre a figura do Eng. Francisco Borges Leitão, oriundo de Secarias. Para além de ser um amigo íntegro e de corpo inteiro da Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, cuja bolsa está sempre aberta para colaborar, enviou agora à Associação um escrito histórico, com episódios passados durante o ano de 1961, que embora não fosse militar, mas soube sempre honrar aquele que usava farda, que mesmo a não usando, pegou em armas para defender a integridade nacional.
Na sua carta, referindo-se ao grande acontecimento que foi a celebração de mais um aniversário, no dia 8 de Agosto, e referindo-se à falta de colaboração do Exército na obtenção de material ara exposição, escreve: “…lamentavelmente não foi possível obter-se colaboração do Exército, mas penso que não há razão para desistir. Por vezes, uma “cunha” a um Sargento ou Oficial subalterno resulta mais do que a influência dos Altos Comandos. Vamos tentar descobrir a tal “cunha” numa das unidades da Zona Militar de Coimbra…” A terminar a sua carta, o Eng. Leitão conta dois episódios que revelam a sua admiração pela Tropa: “Um desses episódios refere-se à chegada do primeiro grande contingente de tropas a Luanda, facto que ainda hoje muito me emociona. O outro, já bastante mais descontraído, verificou-se numa das minhas intervenções profissionais no respeitante ao fornecimento de combustíveis a unidades militares”. E remata assim: “Foram casos como estes e tantos outros vividos durante aqueles anos de guerra, que me levaram a ter um especial carinho pela Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, a que muito me honra pertencer”.
Desde há uns anos a esta parte que os corpos sociais da Associação tiveram a ideia de estarem presentes com uma barraca de comes-e-bebes na Festa do dia 15 de Agosto. Não só permitiria angariar fundos para colmatar as despesas absorvidas com as obras de restauração da sede, como seria também um espaço de convívio para todos: quer para os Combatentes, seus familiares e amigos.
A ideia tornou-se numa forte realidade. Embora com algum sacrifício, a barraca tem-se montado e tem proporcionado bons frutos, particularmente em termos de convivência e de festa.
Como sempre, o Sr. Presidente da Câmara, Eng. Ricardo Pereira Alves, um amigo de coração dos Combatentes (não tivesse sido seu pai também um combatente), não deixa de visitar a nossa “tenda de campanha”, convivendo aberta e simplesmente com todos.
Durante as guerras coloniais, raro era o Arganilense que não fosse ao Mont’Alto pedir a bênção à Santa, que consideram sua padroeira, enquanto durasse a sua permanência em terras africanas; e quando regressava são e salvo, subia novamente ao monte para Lhe agradecer o voto de confiança e de fé que lhe havia transmitido na sua partida.Ainda hoje, mesmo que tenham já decorrido mais de cinco décadas, os Combatentes continuam a afirmar a sua devoção para com a sua santa protectora, pois de quando em vez, nas procissões, carregam com a imagem aos ombros, como prova do seu amor a Nossa Senhora do Mont’Alto.
Aliás, mesmo não sendo Combatente, todo o Arganilense e mesmo os demais que habitam para lá das fronteiras da paróquia, sentem forte fé na nossa padroeira, não falando dos ausentes, que a maior parte não falha, sobretudo incorporando-se na majestosa Procissão de Velas.
Já lá vão quase quarenta anos que o “Mexicano” abalou para as terras de França, depois de ter combatido na Guiné. Primeiro vestiu as camisolas do Grupo Desportivo Argus e depois do Clube de Oliveira do Hospital. Como nesta cidade (antes ainda vila) se enamorou, casou e lá foi ele para as terras gaulesas.
Embora viesse quase todos os anos passar férias, só agora foi possível reunir-se com a sua malta da escola, o que quer dizer dos tempos da sua juventude. E nada melhor do que durante o convívio de aniversário da Associação.
Como é de calcular, o saudosismo foi mais forte e por isso as lágrimas tiveram de correr rosto abaixo.
De seu nome natural Carlos Afonso Gomes (à direita na foto, com os amigos e vizinhos de vivência, os irmãos José e António Vasconcelos), esperamos que na próxima oportunidade nos visite com mais tempo e possamos todos conviver com mais força, a fim de colocarmos a conversa em dia.
Um grande abraço e boa sorte… “Mexicano”!
Em reunião recente da Associação, ficou decidido que aos Combatentes em geral, lhes tenham sido atribuídos louvores, os façam chegar à sede da Associação, para que a memória dos que viveram as guerras, seja mais uma acha enriquecedora para o Museu da Associação. Basta tirarem uma fotocópia em A4 e entregarem-na: ou pessoalmente, no estabelecimento do Zé Gomes (Elsil), ou pelo correio – Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, Bairro do Prazo – 3300-017 Arganil.
Como tudo é memória e história, também seria interessante que se algum foi sujeito a castigo (“porrada” em gíria militar), também o remetesse pela mesma via.
Note-se que por vezes aconteceu militares serem punidos com castigos e logo a seguir serem louvados. Ambas as normas eram lidas das ordens de serviço.

São dois Combatentes que não deixam de estar presentes nas iniciativas da Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, como ainda recentemente aconteceu, nas comemorações do oitavo aniversário da instituição, Albino Paulino e Anselmo Costa, ambos combatentes na Índia, em 1960-1961.
São duas figuras que orgulham a Associação, pois o seu espólio e as suas narrativas do tempo em que estiveram naquela antiga possessão portuguesa, são de molde a enriquecer a história da Associação, já que esta presença portuguesa em terras indianas foi diferente das guerras africanas, já que estavam no terreno outras culturas, outro povo, outras formas de viver e de lutar, onde a religião também marcou, tanto mais tendo calcorreado por aqueles paragens grandes missionários portugueses dos tempos áureos dos Descobrimentos, como Francisco Xavier, José Anchieta, Francisco de Assis, grandes Portugueses que ainda hoje é recordada a sua passagem por terras de Goa, Damão e Diu e não só.
Pois bem, estas duas figuras honram todos com a sua presença, estimulando a Associação para continuar a desenvolver mecanismos tanto culturais como sociais, tendo em mente a sua Direcção promover a breve trecho o apoio a sócios ou combatentes que vão sentindo na carne o stress de guerra ou outras mazelas provocadas pelas guerras que duraram entre 1961 e 1974.
A Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, ao celebrar mais um aniversário – o oitavo – primou para que, a partir do passado dia 8 deste mês de Agosto, na sua sede, no Bairro do Prazo, inseria na emblemática Casa do Cantoneiro, cujas obras de restauração foram inauguradas no ano passado, a memória continue a estar acesa, através do enriquecimento do Museu, com novas peças dos três ramos das Forças Armadas, com mais incidência da Marinha, com grande quantidade de antigas e sempre modernas referências, destacando-se uma âncora colocada sobre pedestal granítico, a condizer com a sua força de sustentação. A Força Aérea primou com a disponibilização da cauda de um helicóptero (Alouette III),
que se encontra exposto no átrio da sede, “enfiado” na parede, dando a entender que se despenhou. É um símbolo bastante forte para todos os Combatentes, porque quando em combate, eram estas “aves grandes”, como diziam os negros, que acudiam aos feridos graves, com evacuações para os hospitais mais próximos. É justo dizer que foi graças à Base Aérea de Beja que tal orgulho foi concretizado.
Quanto ao Exército, neste dia de festa, e após diversas e aturadas diligências da Direcção para que a Associação pudesse também mostrar um símbolo que enobrecesse também a referida instituição militar, afinal a que maior número envolveu os Combatentes nos três campos de guerra ultramarinas, não foi possível, porque as burocracias, dentro desta esfera militar ainda não foram sanadas, o que é pena, porque a geração, de 1961 a 1974, defendeu sob as ordens de quem entendia que as nossas províncias deviam ser defendidas, com honra, brio e denodo, defendendo a sua pátria, tendo como força e ânimo “A Portuguesa” e a Bandeira verde rubra, dois símbolos que ainda hoje os Combatentes têm bem juntinho ao seu coração.
Dentro deste contexto, tanto os presidentes da Assembleia-Geral (José Carlos Trindade Ventura) e da Direcção da Associação (Leonel Conceição Costa), no uso da palavra, foram bastante claros quanto a esta situação e chamaram a atenção para alguns graduados do Exército presentes, embora já na reforma, mas certamente ainda com certa influência no ramo, possam ajudar a desanuviar este cenário, a fim de que o Exército, na realidade, seja uma palavra bem marcante na sede da Associação de Combatentes do Concelho de Arganil.
Após o descerramento das fotografias dos presidentes acima referidos, que ficarão a perpetuar a “Galeria dos Presidentes”, no salão da sede e os descerramentos simbólicos do helicóptero e a âncora, o Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues, Presidente da Liga dos Combatentes,
depois de ouvir as palavras um pouco críticas dos anfitriões, fez um discurso de molde a envolver a harmonia entre as diversas instituições e associações, referindo que todos são combatentes, porque se ontem se bateram em campos da batalha, hoje, embora em moldes diferentes, combatem também por Portugal, ajudando a manter a paz, com a mesma nobreza e galhardia de que é caracterizada a raça Portuguesa. Acentuou que os Combatentes estão acima de tudo, sobretudo no campo político.
O Presidente da Câmara Municipal de Arganil, Eng. Ricardo Pereira Alves, um autarca amigo dos Combatentes, pois foi graças à sua intervenção que não só foi entregue à Associação a Casa do Cantoneiro, como colaborou nas obras da sua restauração. Por isso, como referiu, este é um espaço de convívio e de memória, com projecção no futuro, e assim sendo, enfatizou que os Combatentes merecem mais respeito.

Abre-se aqui um parêntesis para recordar, e aproveitando o andamento, das palavras do responsável das comemorações do 10 de Junho de 2010, António Barreto, que defende que as Associações de Veteranos de Guerra devem ser consideradas de Utilidade Pública, e salientou que o país deve respeito aos que fizeram a guerra e ainda, “merecem um Dia do Combatente oficialmente estabelecido” e fazerem parte nas cerimónias públicas e oficiais.
Participaram também nestas cerimónias o Major General Aguda, da Liga dos Combatentes, o comandante Rodrigues Pereira, Director do Museu da Marinha, o Presidente da Junta de Freguesia de Arganil, João Travassos.
E a cerimónia que se seguiu foi a visita ao Monumento dos Combatentes do Concelho, que recorda os falecidos em combate. Nele foram depostas palmas de flores, particularmente da Associação de Arganil, de Tondela e da Federação Portuguesa das Associações de Combatentes, composta por vários elementos, tendo à cabeça o seu Presidente, Dr. António Ferraz.

Abel Fernandes, o responsável do protocolo, leu os inscritos na placa e quando cada nome foi referido, todos em coro retorquiram: “Presente”!
Passados que foram estes momentos de grande solenidade, os convidados e demais presentes dirigiram-se para o Mont’Alto, em cujo restaurante foi servido o bom almoço, almoço que proporcionou a que todos continuassem a viver e a conviver uns com os outros.
E como apontamento final, recorde-se que a fotografia de José Carlos Trindade Ventura foi descerrada pelos três netos; e de Leonel Costa, pela filha. À inauguração simbólica do helicóptero e da âncora, os descerramentos foram feitos, respectivamente, pelo membro da Associação, José Ricardo, paraquedista na Guiné e Presidente da Câmara, e pelo Director do Museu da Marinha e dos “Filhos da Escola”, João Travassos e José Augusto Rodrigues Gomes.
Oportunamente daremos noticias fotograficas do que se passou no Almoço.