terça-feira, 3 de dezembro de 2019

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

A luta pelo Estatuto do Combatente é patente


No dia 16 de Novembro, na sede da Associação de Combatentes do Ultramar Português, em Castelo de Paiva, realizou-se a assembleia geral da Federação Portuguesa das Associações de Combatentes, sob a presidência do Dr. Augusto Oliveira de Freitas, estando presentes o presidente da Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar, com sede em Tondela, Dr. António Ferraz, para além da representação de outras Associações de Combatentes, entre as quais a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, representada pelo seu presidente da Direcção, António José Travassos de Vasconcelos e do vogal do Conselho Fiscal, José Vasconcelos.
Nesta reunião foram despoletadas importantes assuntos, no sentido de serem apresentados em próxima reunião aprazada com a nova Secretária de Estado dos Recursos Humanos e dos Antigos Combatentes, Dr.ª Catarina Sarmento e Castro, para a qual, entretanto, foi enviada uma carta na qual são citadas algumas propostas que não foram aceites na Assembleia da República e que acabaram por caducar.
Na carta enviada à Secretária de Estado, lê-se:
«Estamos no fim das nossas vidas e a média de idade dos combatentes é de 72 anos. A guerra terminou há 44 anos. Somos ainda mais de meio milhão de velhos que deixámos tudo na força da juventude para cumprir o que nos foi apontado como dever pátrio. Quase todos cumpriram pelo menos três anos e meio de serviço militar obrigatório e a enormíssima maioria deles, os soldados, com o soldo de miséria».
Por isso, como finaliza a carta, «Esperamos de V. Ex.ª um sinal inequívoco na concretização urgente de um Estatuto do Combatente, justo e adequado às possibilidades do país e às necessidades dos combatentes. Fomos e somos combatentes de Portugal».
Além desta pretensão, foram aprovados nesta reunião 9 pontos, que foram já enviados à Secretária de Estado, que são:
1 – Isenção de IRS para as prestações da Lei 3/2009.
2 – Actualização das prestações da mesma lei, aumentando a taxa do complemento da pensão, o valor desta, do acréscimo e o complemento.
3 – Cumulação destas prestações com outras;
4 – Entrada livre nos museus, monumentos e eventos culturais promovidos pelo Estado.
5 – Isenção do custo dos medicamentos para os Combatentes com pensões abaixo do valor do salário mínimo;
6 – Diminuição do custo para metade do passe social nas grandes metrópoles e redução do custo dos transportes públicos para 25%.
7 – Isenção das taxas moderadoras.
8 – Envolvimento do Ministério da Saúde no stress de guerra, não bastando os protocolos entre o Ministério da Defesa e as Associações. Privilegiar o tratamento na relação à unificação da incapacidade resultante.
9 – Estatuto de utilidade pública para as Associações de Combatentes.
Com tudo isto, espera-se que ao Combatente do Ultramar Português seja prestada justiça, quando a maior parte está no declinar da vida, alguns sofrendo ainda de traumas, do chamado stress de guerra, que absorveram nos sertões da Guiné, Angola e Moçambique, e que os transportarão para a outra vida, sem que houvesse ou haja ainda alguém que lhes valesse.


sábado, 30 de novembro de 2019

A historiadora Joana Pontes defende ser "devida uma homenagem” aos militares que prestaram serviço na Guerra Colonial

A historiadora Joana Pontes defende ser "devida uma homenagem” aos militares mobilizados, que prestaram serviço na Guerra Colonial (1961-1974), a propósito do seu novo livro, “Sinais de Vida", publicado no final de Novembro pela editora Tinta-da-China a partir da consulta de 44.000 cartas e/ou aerogramas trocados entre 1961 e 1974.


“Deve haver, da parte das pessoas de hoje, uma homenagem a esses militares, e perceber estas pessoas no seu contexto”, disse à agência Lusa Joana Pontes, depois da publicação do seu livro “Sinais de Vida", em que reflete sobre a correspondência trocada entre os milhares de militares destacados nos países então sob administração portuguesa, e os seus familiares e amigos, de 1961, quando a guerra eclodiu em Angola, e 1974, ano em que se deu a revolução que depôs a ditadura que sustentava o conflito.

“Há que perceber as pessoas neste contexto. E era obrigatório ir [para a guerra]. E a maioria foi em condições muito complicadas”, argumentou Joana Pontes.

“Além desse reconhecimento, em falta, há que dar a conhecer o que foi a circunstância da Guerra [Colonial] e a maneira como, de facto, as pessoas não percebiam muito bem o seu império”, disse a historiadora à Lusa.

“Sinais de Vida” resulta da tese de doutoramento em História de Joana Pontes, sobre a correspondência dos militares em contexto bélico, o que reconheceu “ser uma área de investigação muito pouco habitual em Portugal, mas que permite estar mais perto das pessoas comuns”.

A historiadora acrescentou que este tipo de universo de análise “é muito comum em França, Inglaterra, Espanha ou Áustria, sobre contextos como as duas guerras mundiais ou até a Guerra Civil espanhola (1936-1939)”.

“Foi gente que passou ali um muito, muito mau bocado"

Sobre as gerações que foram mobilizadas para a Guerra Colonial, Joana Pontes afirmou: “Foi gente que passou ali um muito, muito mau bocado, e lamento muito que não se preste a estas pessoas uma homenagem”.

“Lamento que não se preste a devida atenção e se reconheça que de facto eles foram servir a Pátria, e isso foi um ato de enorme generosidade; mas como a guerra foi considerada ilegítima depois do 25 de Abril de 1974, caiu-se tudo numa espécie de limbo, em que se prefere não falar nisso”, disse a historiadora, que considerou que “há agora uma oportunidade” de reparação.

“Eu acho que estes militares, os que foram mobilizados, sentem muito não serem reconhecidos, que não se reconheça o sacrifício. E, ao ler as cartas, acho se percebe o que foi a vida dessas pessoas, com 20 anos, separadas das famílias, durante pelo menos dois anos, lá longe, muito longe, num inferno”, argumentou, em declarações à Lusa.

Sobre a investigação, o ex-diretor do Arquivo Histórico Militar, Aniceto Afonso, escreve no prefácio que apresenta “um invulgar sentido de responsabilidade, num exaustivo e rigoroso planeamento”. Estimando tratar-se de um “contributo para a compreensão da Guerra Colonial que será indispensável conhecer e consultar”.

Joana Pontes, por seu lado, disse à Lusa que este seu trabalho “dá a consciência do que foi o Estado Novo: uma vida sem perspetiva, uma vida muito, muito difícil e dura, das condições em que viviam".

"Quando a agricultura não dava, era um ano mau, havia fome. Nos bairros periféricos no Porto, havia umas casas onde chovia e as mulheres ainda iam lavar os carregos, como diziam, de roupas no rio”, recorda a historiadora.

"Um imenso drama coletivo”

Aniceto Afonso, no prefácio, diz que a obsessão de um pequeno país querer manter, pela via da guerra, extensos territórios além-mar, “acabou por envolver o povo português num imenso drama coletivo”.

“É tudo muito triste porque são jovens, com 20 anos, eles e suas noivas”, sublinhou por seu lado a investigadora, acrescentando: “Às vezes digo isso aos meus alunos, imaginem-se com 20 anos, lá longe, sem ninguém, foi terrível”.

Nas transcrições de algumas das missivas, na obra, são notórios os erros de ortografia, o que corresponde a uma “muito fraca alfabetização”, que era comum a quem era recrutado e aos que ficavam. O que constituiu "uma dificuldade à investigação".

A autora consultou 44.000 cartas e/ou aerogramas, estimando-se a correspondência deste tipo, entre 1961 e 1974, em 21.000 toneladas.

Além da família e amigos, os militares correspondiam-se com as “madrinhas de guerra”, jovens que lhes escreviam como um meio de apoio moral e psicológico. Algumas, como é referido no livro, tornavam-se namoradas e futuras mulheres.

A investigadora atesta ainda que “não havia uma politização clara": "As pessoas não sabiam exatamente o que se estava a passar no contexto internacional, porque é que a descolonização teria de existir. Este tipo de considerações não estava presente na mente das pessoas”.

A investigação destas missivas, colocando na narrativa histórica não apenas as élites sociais, políticas, militares ou religiosas, mas também "as pessoas comuns e a sua vivência dos factos", permite "compreender a política num sentido mais lato”, ao mostrar “como estas pessoas estiveram a viver esta missão e em que condições”.

O ex-diretor do Arquivo Histórico Militar, que assina o prefácio, afirma, por seu turno, que “a intransigência do regime português e a sua opção pelo conflito militar como solução para a questão colonial teve consequências extensas e cada vez mais profundas na sociedade portuguesa”.

Segundo números avançados nesta investigação, o recrutamento de mancebos em Portugal rondou os 600.000, tendo 300.00 combatido em Angola, 135.00 na Guiné-Bissau e 150.000 em Moçambique.

As cartas são “uma forma de diário”. E se só alguns escreveram diários, contou a historiadora, “certo é que todos escreveram cartas”, dando conta do seu estado de espírito, e das condições em que combatiam.

Retirado de: (https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/os-militares-que-combateram-na-guerra-colonial-devem-ser-homenageados-a-historiadora-joana-pontes-foi-ler-mais-de-40-mil-cartas-da-epoca-e-nao-tem-duvidas-que-sim)

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Magusto do Combatente - 2019

Ontem domingo comemorou-se o São Martinho na Sede. 
Mais uma iniciativa da Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, onde à volta de duas ou três mesas, e entre mulheres, se saborearam 30 quilos de boas castanhas, não faltando o bom tinto, água-pé e jeropiga. O caldo verde, com chouriço caseiro e um bom pingo de azeite novo, estava uma delícia.
















sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Romagem de saudade desde Arganil ao Valado

No Dia de Todos-os-Santos, dia de reflexão, dia de visitar e levar um gesto de saudade aos nossos mortos e deixar, porque não, uma lágrima de quem, nesta vida, mal ou bem, soube vivê-la à sua maneira, e que os que cá ficaram a interpretam da forma como a viveu e da forma que hoje a sua permanência entre nós ainda podia ser útil e generosa.
Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, numa romagem de saudade, tem sabido honrar esses jovens, com a deposição de flores quer nos sinais monumentais onde essa marca está implantada, quer nos cemitérios onde jazem aqueles que não morrendo na guerra, acabaram os seus dias entre nós. 












quinta-feira, 10 de outubro de 2019

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Guarda de Honra

Uma Guarda de Honra na FICABEIRA 2019, com muita pinta.

sábado, 7 de setembro de 2019

Ministra da Saúde Marta Temido visita pavilhão da ACCA

Marta Temido Ministra da Saúde, visitou o nosso pavilhão na FICABEIRA 2019




sexta-feira, 6 de setembro de 2019

A Associação presente na FICABEIRA / Feira do Mont’Alto 2019


Como anualmente acontece, a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil esteve presente na FICABEIRA/Feira do Mont’Alto 2019.
Durante os quatro dias o stande foi visitado por muitos Combatentes e não só, admirando o espólio que ali estava patente.
No dia da abertura, tanto os autarcas locais – presidente da Câmara, Dr. Luís Paulo Costa, vice-presidente Dr.ª Paula Dinis, vereadores Eng. Luís Almeida e Dr.ª Érica Castanheira – Eng. Ricardo Pereira Alves (Presidente da Assembleia Municipal); presidente da Junta de Freguesia de Arganil (João Travassos), os vice-presidentes da Comissão Intermunicipal Região de Coimbra (Dr. Carlos Monteiro) e da CCDRC (Luís Caetano), quiseram partilhar a foto de família, para mais tarde recordar.

A Associação dos Combatentes do Concelho de Arganil esteve na Póvoa da Raposeira na homenagem a Armindo Antunes

No dia 11 de Agosto de 2019 a nossa Associação de Combatentes esteve na homenagem póstuma que a Liga de Melhoramentos daquela aldeia do concelho de Pampilhosa da Serra prestou a Armindo Antunes, um Combatente amigo da nossa Associação, e que por isso não podia deixar de estar presente, através do seu presidente da Direcção. Ao mesmo tempo foi bonito assistir também à inauguração de uma estrada que possibilitou à comunidade local ter um acesso adequado aos novos tempos. 
Como sempre, o amigo António Antunes, presidente da Liga e combatente também, teve para com a nossa Associação palavras elogiosas por estarmos presentes, o que não podíamos deixar de o fazer, tendo em linha de conta de que a pessoa homenageada era um grande amigo, que «deu tanto por esta terra e pelos amigos», como referiu o amigo António.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

A Associação de Combatentes sente a perda e um grande amigo: Dr. Francisco Travassos Cortez

Não é só a comunidade arganilense que ficou chocada com a morte do seu conterrâneo Dr. Francisco José Travassos Cortez, ocorrida na sexta-feira, dia 16 de Agosto 2019, no Hospital Francisco Xavier, em Lisboa, após doença súbita e por isso muitos arganilenses se deslocaram a Coimbra, para acenar o último adeus ao seu amigo, onde esteve representada a nossa Associação, com diversos dirigentes.
É que o Dr. Francisco Travassos era uma figura muito estimada em Arganil, onde nascera e a nossa Associação tinha nele um grande conceito de amizade. Todos os anos, particularmente no dia 15 de Agosto, no Mont’Alto, não faltava na nossa barraca, para saborear, com as filhas, a boa sopinha (como dizia) e uma febra. E como não gostava de comer a sopa em pratos plásticos, a Associação até tinha comprado umas taças, a fim de ir ao encontro da vontade do nosso amigo, pensando que este ano estaria presente. Afinal, infelizmente, tal não aconteceu.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Combatentes em «prova» em mais uma caminhada


A Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, de mãos dadas com sócios e amigos(as), realizou mais uma caminhada, que teve lugar na manhã do dia 7 de Julho / 2019, num percurso que deu para perceber que a maior parte ainda se encontra em forma (fisicamente), o mesmo acontecendo com os estômagos, que no final da prova demonstraram que o apetite é forte, com o saboreio de uma boa sardinhada, que acabou por ser o começo de uma tarde bem passada, onde o convívio, sobretudo, é uma forma de estar já habitual desta casa, onde todos se sentem bem, como tem o condão de receber bem quem de longe nos visita.

 




E para ilustrar a notícia, vão algumas fotos que ilustram melhor e… «ao vivo», os dois eventos.