quinta-feira, 20 de julho de 2017

O Nosso MUSEU

Ao dispor de todos aqueles que quiserem honrar-nos com a sua visita




































quinta-feira, 13 de julho de 2017

Na sede da Associação defenderam-se os interesses dos Combatentes Portugueses


No sábado, dia 1 de Julho, a Casa do Cantoneiro, no Bairro do Prazo, onde está instalada a sede da Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, realizou-se a primeira reunião da Federação Portuguesa das Associações de Combatentes, de uma nova série agora iniciada, a qual teve como objectivo defender os interesses dos Combatentes que pisaram solo africano em defesa dos bens pátrios.

Presentes diversas Associações. Além da de Arganil, a de Mangualde, Castelo de Paiva (da qual fazem parte duas senhoras), Pampilhosa da Serra, Tábua, Braga, Tondela, Movimento Cívico do Combatente, Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra. Embora fossem convidadas outras, que não puderam estar presentes, a reunião foi presidida pelo presidente da Federação, Dr. Augusto Lopes Freitas, sendo moderador o Dr. António Ferraz, da Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar.

Entre as diversas intervenções, e colocadas na mesa diversas sugestões e pareceres que já foram postos em acção, mas que não tiveram resultados práticos, inclusivamente nos corredores da Assembleia da República, foi apresentada uma proposta, que depois de apreciada e discutida foi aprovada por unanimidade.

A proposta apresentada e votada unanimemente, e «porque os portugueses combatentes mereciam mais…», tem como alinhamento prioritário:

- «Que no próximo Orçamento Geral do Estado se consigne a todos os antigos Combatente (a isenção do pagamento das taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde e a isenção de qualquer tributação, nomeadamente de IRS no complemento, 2 e acréscimo vitalício de pensão previstos na Lei 3/2009 de 13-1);

- Que se institua o Cartão de Antigo Combatente, para facultar o acesso a quaisquer benefícios que lhes sejam concedidos e como símbolo do reconhecimento do seu serviço à pátria e às Forças Armadas; e «Que o acesso à rede Nacional de apoio (D.L. 50/2000 de 07/04, não tenha somente como objectivo a qualificação do antigo combatente como deficiente das Forças Armadas, mas também, e sempre, a prestação de cuidados de saúde específicos, decorrentes da sua situação de antigo combatente».

Esta justificação tem por base que «Quase a totalidade dos antigos combatentes têm mais de 65 anos de idade, que prestaram um serviço à Pátria, muitas vezes com risco da própria vida e na maioria das situações sem remuneração condigna, sem previdência social e com sequelas graves na sua própria saúde», que «hoje muitos deles têm pensões de miséria».

Nesta proposta realça-se ainda que «O Cartão de Antigo Combatente será um instrumento prático de acesso a quaisquer benefícios atribuídos ou a atribuir aos

antigos Combatentes». Além do mais, «será também um símbolo do reconhecimento do Estado e das Forças Armadas àqueles que, pela Pátria e prestigiando as Forças Armadas lutaram por Portugal».

Acrescenta ainda a proposta que «o suplemento, complemento e acréscimo vitalício anuais, nos montantes de 75€, 100€ e 150€ são irrisórios e sujeitos ainda às taxas de tributação previstas do IRS».

Embora ali tivesse sido vincado que os governantes, quer uns e outros, desde o 25 de Abril, não olhem com bons olhos os Combatentes, porque somente têm em atenção a Liga dos Combatentes, que sendo uma instituição governamental não olha a direito as Associações então criadas, que são a pura defesa do Combatente que combateu nas Áfricas, então portuguesas.

Esta proposta vai ser enviada ao Governo (Ministério do Exército), aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República e ao Presidente da República.

Antes da ida para o almoço, realizado no salão do Mont’Alto, ficou aprazada a próxima reunião para Setembro, em Braga, já que estas reuniões são feitas, agora, por ordem alfabética de cada localidade onde estão sediadas as respectivas Associações.

domingo, 2 de julho de 2017

Depois da Caminhada uma boa sardinhada


Continuando a saga das suas realizações, a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil levou a efeito mais um evento, no dia 25 de Junho de 2017, evento que faz parte do seu calendário. Desta vez foi a caminhada-sardinhada.

A caminhada teve um percurso «leve», já que a idade dos Combatentes, e de algumas das suas companheiras, não permite grandes esforços, apesar de, na mesma, ter aderido muita juventude.

A sardinhada realizou-se à hora do almoço, tendo tido uma aderência bastante boa. Houve alegria e boa disposição, e paralelamente bom apetite que, tudo conjugado, é o mais importante.

Apresentamos algumas fotos que testemunham o acontecimento.

Uma palavra aos colaboradores que estiveram à altura, que todos disseram: para o ano há mais.










sábado, 1 de julho de 2017

Associação dos Combatentes de Arganil: Uma porta aberta



A Associação de Combatentes do Concelho de Arganil continua a receber, na sua sede, os homens que, no passado, foram combatentes nas ex-Províncias ultramarinas.

Assim:

No dia 6 de Maio/2017 estiveram connosco na sede, a Companhia 8352 e no dia 27 do mesmo mês, a Companhia 3491, que ambas se movimentaram na Guiné.

Estes encontros foram organizados, além de outros elementos, pelos nossos conterrâneos, respectivamente, Fernando Costa e Mário Castanheira.


terça-feira, 27 de junho de 2017

No 37.º aniversário da Delegação de Viseu da Associação de Comandos

Em 14/05/2017, no RI 14), a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil esteve representada nos convívios de antigos militares, em Mangualde e Vila do Conde e ultimamente, na festa da Associação de Comandos (Delegação de Viseu). Nesta presença foram proferidas palavras de circunstância pelo seu presidente, Manuel Magalhães e em seguida também o antigo oficial da 5.ª Companhia de Comando na Guiné, António Fernandes Pinto Morais, na leu o seu discurso, que dada a sua importância, aqui se transcreve:

Sinto-me feliz por celebrar hoje convosco este 37.º aniversário da nossa Delegação. É por tal motivo mais do que suficiente para aqui expressar os nossos PARABÉNS a todos quantos contribuíram para atingir esta meta. Mas por outro lado sinto-me tão orgulhoso por fazer parte desta comunidade. E sabem porquê?

Porque os Comandos constituem uma comunidade com uma identidade própria, que se integra numa comunidade social mais vasta: UM POVO.
Uma comunidade com símbolos: O código, o crachá, o estandarte, a boina vermelha, são alguns dos mais representativos.
E obviamente sem deixar de sublinhar, o conhecimento, a consideração, o orgulho e o respeito pelos dois ícones representativos deste Povo: a Bandeira de Portugal e o Hino Nacional. 
E a nossa história, construída por milhares de operacionais, merecedores dos mais elevados elogios, reconhece-os como os melhores combatentes, “que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando”.
E aquela simbologia que caracteriza uma identidade, expressa-se no Código Comando, na exaltação dos valores: 
“O Amor à Pátria”. “O Amor ao trabalho”.  “O espírito de sacrifício”. “A prática da camaradagem”
 “A prática da solidariedade”. “A Afirmação de pessoa de carácter leal e determinado”
 “A Recusa da indignidade e da mentira”. “A exaltação dos que lutaram e venceram os obstáculos”
 “O servir sem preocupação de paga”. “O cumprimento da missão”
 Depois, não há ex-Comandos. Só Comandos. Nas fileiras e fora delas. No activo e na reserva. Uma vez Comando é-se sempre Comando.
Os Comandos são homens que, ficaram para sempre ligados entre si, porque se identificam com determinados princípios.
 É um processo imparável, independente da vontade deste ou daquele elemento do grupo. É sabido que os grupos atingem maior ou menor importância social, em resultado do desempenho de alguns dos seus membros, que pelas suas características, podem incutir (ou retirar) maior dinâmica ao próprio grupo. Os símbolos formam-nos num grande colectivo, uno coeso e forte.
Um frémito percorre o nosso corpo ao vermos ou ouvirmos um dos símbolos que gravámos no nosso ego. Quando sentimos esta emoção, sabemos que pertencemos ao grupo.
 Acontece o mesmo quando vemos uma miniatura do crachá numa lapela, um autocolante colado no pára-brisas, uma tatuagem no braço ou ao ouvirmos o grito MAMA SUME.
 E mesmo afastados de um convívio frequente ou desenquadrados das estruturas formais – Batalhões, Companhia, Associação, fazemos parte deste grupo.
 Há um sentimento de pertença ao grupo, mesmo quando nos afastamos da estrutura ou quando nos afastam (expulsão). Um Comando será sempre, para si próprio e para os outros um Comando. O Frémito permanece. Já transcende a racionalidade. É do exclusivo domínio das emoções.
 Numa religião chamar-se-ia a ISTO crença. Num partido convicção. Num grupo como os “Comandos” como se designará?
 Nesta comunidade alcança-se a maioridade. Anteriormente conhecemos a existência do grupo, respeitamos, a sua “áurea” a sua “mística”, desejamos ser um “deles”. A entrada é altamente exigente, muitas vezes até violenta. E é nesse clima de tensão levado ao extremo que gravamos a nossa simbologia. Na quente, prova de fogo moldamo-nos e moldam-nos. Participámos nos ritos de passagem. Já não voltaremos ao ponto de partida, após as experiências dos teatros operacionais. A viagem não tem regresso. Entranha-se. Interioriza-se e define-se: “Quero e Posso”.
E nesta viagem sem regresso, chegámos melhores mas diferentes. A intensidade física e psicológica do Curso de Comandos, individualiza-nos e distingue-nos. Assim nos temos formado nos últimos 50 anos. Razão porque os Comandos se tornaram num “grupo social” forte e respeitado na comunidade em que se integram. Porque, em caso de ameaça à nossa soberania, em tempo de crise de valores, do desmoronamento social, da desunião, e da fragilização dos grupos (se bem que continuem activos os grupos corporativos na defesa dos seus interesses profissionais, políticos ou económicos) ou em que os grupos se transformam em turbas animistas (como as claques dos clubes), os Comandos permanecendo vinculados à defesa dos seus ideais, intervêm e participam quando necessário, sem que para tal tenham de ser convocados. A sua identidade simbólica é a chama que nunca se apaga e o estímulo que nunca enfraquece.
 Aqui reside o “Mistério”, pois os “Comandos” sem os seus símbolos perderiam a sua verdadeira identidade.

 Razões porque se afirmam, e não se importam que alguém lhes diga “tu sabes vencer, mas não sabes tirar proveito da tua vitória”.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Mais um aniversário com muita vida e amizade

3 de Junho, dia que o calendário marcou mais um aniversário da Associação de Combatentes do Concelho de Arganil – 11 anos – que o seu presidente da direcção, António José Vasconcelos, considerou que é graças ao empenhamento diário de todos, bem como associados e amigos, que diariamente cumprem a sua palavra para com a Associação, a fim de «fazer desta casa uma casa grande, não só fisicamente, mas grande no nome para engrandecer o concelho e todos aqueles que acreditaram e acreditam em nós».
E foi perante muitos combatentes, entre eles representantes de Associações de outros concelhos, com ou sem estandartes, que decorreu a abertura destas comemorações, na sede da Associação, que o Presidente da Direcção afirmou ainda que a «Associação tem neste momento uma marca histórica de determinação», que procura continuar, pois ela «é feita de um grande trabalho de equipa nesta casa», e que «assim será nestes próximos anos… depois, depois só Deus saberá». Não deixou António de Vasconcelos de agradecer à Câmara Municipal, na pessoa do seu presidente, que em final de mandato, muito contribuiu para que este sucesso fosse possível, esperando, no entanto, que «continue a ajudar-nos» e também a Junta de Freguesia lhe mereceu encómios pelo apoio prestado.

Sendo o Museu uma «arma» forte de recordações e de afirmações, que tem sido elogiado pelos que nos visitam, agora mais ampliado, o Presidente da Direcção não deixou de agradecer a altos comandos militares a forma como participaram nesta riqueza histórico-militar, citando o Tenente-General Campos Gil, ex-vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, agora na reserva, e o Major Moreira da Silva, em serviço em Tancos. Não esqueceu o nosso conterrâneo Tenente-Coronel Albino Tavares, «que igualmente nos tem ajudado no então deficit de peças museológicas».
Para o presidente da assembleia-geral estes encontros são sempre motivadores «para continuarmos a manter-nos de pé», onde o diálogo, a amizade, a solidariedade são valores que todos mantêm e que os que estiverem no Ultramar Português «parece que foram vacinados, porque hoje mantemos energias para prosseguir». Depois de Abel Fernandes ter elogiado o papel das mulheres em tempos de ausência em terras africanas, ali em grande número, teve palavras amistosas para com o Presidente da Direcção, «homem permanente», não esquecendo o tesoureiro José Gomes e toda a equipa, que têm engrandecido «esta casa que só nos enriquece a todos». Também elogiou o papel que o Eng. Ricardo Pereira Alves «em nos ter entregue esta casa, a par de diversas contrariedades e em boa hora o fez» e por isso deixou o repto para «que o seu nome seja perpetuado naquela casa».

Em representação da Junta de Freguesia de Arganil, Pedro Alves relevou os valores porque todos, nessa altura defendiam, que eram «os valores da nossa Pátria», e por isso «jamais se pode esquecer o que vocês fizeram» e lamentou que não haja informação sobre este motivo, para que «não se fale apenas de coisas que nos aterrorizam, mas de paz e de concórdia».
Elogiando o mérito que todos tiveram em transformar «esta casa em encontro e amizade», o Presidente da Câmara afirmou que sempre «acreditei em todos vós a transformação deste espaço», louvou a dinâmica que lhe foi dada, que reflecte a memória, dizendo que hoje o país que temos em parte se deve aos Combatentes, e um povo que tem futuro tem memória, defendendo causas, como «vocês as defenderam».
Proferidas palavras por Armando Nascimento, de Pomares, de António Miranda, da Associação de Penacova e de Manuel Pereirinha, da AVEC, a deixarem saudações à Associação aniversariante, e trocas de lembranças, o Dr. Ferraz, da Associação de Tondela, a anunciar que no próximo dia 1 de Julho a Associação de Combatentes de Arganil terá no seu reduto a reunião da Federação Nacional de Combatentes, onde vão estar presentes todas as Associações. 

Após esta sessão, feita no átrio da Associação, todos se dirigiram ao Sobreiral, onde foi prestada homenagem aos Combatentes do Concelho que tombaram no conflito ultramarino, e onde foram depostas ramos e palmas de flores, acto que foi seguido de um minuto de silêncio e cantado o Hino Nacional. Proclamado cada um dos seus nomes com um «Presente!...», a caravana seguiu para o Mont’Alto, em cujo restaurante se realizou o almoço de convívio, que se prologou até tarde.


ZÉ DE VASCONCELOS 


sábado, 6 de maio de 2017

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Stress pós-traumático: mais de 40 anos depois, a guerra colonial ainda faz vítimas


Nasceu no Hospital das Forças Armadas uma unidade de saúde mental capaz de responder às centenas de militares com problemas.
Adriano Amado tem quase 77 anos e só em 2015, duas décadas após o início do processo, é que foi oficialmente diagnosticado como Deficiente das Forças Armadas (DFA) por causa do stress de guerra.
A aguardar marcação de uma consulta na Associação dos DFA (ver entrevista ao lado), o veterano de guerra reformado do Casino Estoril com 42 anos por invalidez é um dos muitos - como as quatro dezenas que este ano viram reconhecida a sua incapacidade por questões de saúde mental, ou a meia centena qualificada como DFA em 2016 pelas mesmas razões - que vão poder ser atendidos no recém-inaugurado Centro de Saúde Mental do Hospital das Forças Armadas (HFAR).

O diretor do Hospital das Forças Armadas, brigadeiro-general António Tomé, na Sala da Musicoterapia 
 |  NUNO PINTO FERNANDES/GLOBAL IMAGENS

Adriano Amado, que vive com a mulher e uma filha, cumpriu o serviço militar obrigatório entre 1962 e 1965, em Angola. Enfermeiro do Exército, recorda ao DN que "as coisas começaram a complicar-se logo" que regressou à Metrópole e "devido aos problemas" vividos "no mato". Seguido durante anos por médicos civis, pois "não tinha conhecimento de nenhum apoio militar", o antigo primeiro-cabo recorreu à ADFA quando "há uns 20 anos" soube que poderia obtê-lo.
Aberto o processo, este "andava de um lado para o outro... em 2015 fiz uma consulta de psiquiatria, disseram que ia ficar com 40% de incapacidade" por distúrbios de stress pós-traumático de guerra. A receber a pensão desde dezembro desse ano, Adriano Amado aceita contar alguns pormenores da sua vida: "Nunca mais fui enfermeiro... quando vim de África não consegui fazer mais" nada nesse domínio, depois de ter andado "a apanhar bocados de colegas espalhados no mato."
Foram "situações muito complicadas... colegas com quem estava a comer, a quem dava água do cantil e minutos depois estava a apanhar" os seus restos mortais, evoca Adriano Amado, que "de vez em quando [vai] à aldeia para mudar de ambiente a conselho médico". A tomar dezena e meia de comprimidos por dia, sem dormir em muitos deles, diz não conseguir falar sobre a doença. "Não estou em condições", responde, de forma entrecortada. "Há dias que não posso falar com ninguém. Hoje é um dia em que estou um pouco melhor e por isso estou a falar", acrescenta o antigo militar, reformado nos anos 1980 por dificuldades a nível profissional.

O Hospital das Forças Armadas tem um pólo em Lisboa (na foto) e outro no Porto. 

Inauguração:

Os problemas do stress de guerra merecem hoje uma atenção inexistente durante anos, pois os militares destacados para missões no estrangeiro são acompanhados antes, durante o aprontamento e no regresso, conta ao DN a major Marianne Cordeiro, psicóloga no Edifício da Saúde Mental do HFAR, inaugurado oficialmente no dia 6 pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Pina Monteiro.
"O próprio militar e o comando estão atentos, pelo que os primeiros sinais são atacados logo" pela parte clínica e "não se desenvolvem situações complexas" nem os casos específicos de stress de guerra "chegam a ser tão agudos", indica a oficial da Força Aérea, enquanto mostra as salas para terapia individual e de grupo, os espaços para testes e análises neuropsicológicas ou psicoeducação de quem precisa de "ganhar rotinas de reabilitação" (como usar utensílios à mesa).

A capitão-tenente Inês Nascimento (à esquerda na foto) e a major Marianne Cordeiro chefiam
 as áreas de psiquiatria e psicologia, respetivamente.  |  NUNO PINTO FERNANDES/GLOBAL IMAGENS

Este centro com controlos de acesso no pólo de Lisboa do HFAR resultou da fusão dos serviços dos três ramos das Forças Armadas, a partir de 2014, estando até agora a funcionar em instalações temporárias e apoiado em protocolos com hospitais civis e clínicas privadas, refere o seu diretor, brigadeiro-general António Lopes Tomé.
Médico neurologista da Força Aérea, António Tomé mostra-se convicto de que o centro de saúde mental das Forças Armadas "poderá ser uma área de excelência" e, se houver, com "capacidade sobrante para apoiar" o Serviço Nacional de Saúde (SNS) devido às "novas instalações" e ao "pessoal formado e motivado" que está nas várias áreas: Hospital de Dia de Psiquiatria, serviços de Psicologia Clínica e de Saúde Ocupacional ou, ainda, o Centro de Epidemiologia e Intervenção Preventiva que dá apoio médico-sanitário aos militares enviados para missões no estrangeiro, elementos das forças de segurança, membros do Governo e diplomatas.
A capitão-tenente Inês Nascimento indica algumas "condições únicas" agora criadas, como a insonorizada Sala de Musicoterapia equipada com instrumentos musicais ou os quartos com janelas movidas por controlo remoto e espelhos especiais: "Não há nenhum serviço de psiquiatria no país com vidros inquebráveis", frisa a psiquiatra da Marinha.
No internamento, por estrear e onde há 13 camas - uma fixa ao chão, para receber doentes cujo estado os leva a fazer "coisas mirabolantes" - em sete quartos, também não há fios, cabides ou mobiliário que permita a automutilação ou suicídio, assinala o diretor, destacando ainda os meios de eletroconvulsioterapia - e que são uma "capacidade deficitária no SNS".

Fonte: Jornal "Diário de Noticias" 
Fotos: Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens