


Os Combatentes estão em todo o lado, sobretudo em Arganil. Nas instituições e colectividades há sempre um combatente: seja nos Bombeiros ou na Santa Casa da Misericórdia, seja na Filarmónica ou em grupos folclóricos.
Costuma dizer-se que a nossa querida terra Arganil é um chão de solidariedade. As associações, sejam elas de que cariz for, encontram sempre no seio dos “Pintassilgos” a maior abertura em todos os capítulos sociais. Se os Bombeiros precisam de equipamento, ou a Filarmónica de instrumental e fardamentos, não falando da Associação de Combatentes, dos grupos folclóricos, ou outros, lá estão os Arganilenses de ouvido afiado a colaborar sem apelo nem agravo. Podem até em alturas de reuniões magnas não comparecerem, por saberem que tudo está bem, mas na hora da verdade eles, todos nós, acorrem nas horas que são chamados a dizerem que a sua colaboração é necessária.


Com o encerramento da “Barbearia do Senhor Guilherme”, assim era conhecido este estabelecimento comercial, perde-se mais um espaço arganilense que ao longo de sete décadas os seus trabalhadores desfizeram a barba e cortaram cabelo a muitas gerações de adultos e crianças.







História
O Navio-Escola "Sagres" foi construído, em 1937, nos estaleiros Blohm & Voss (Hamburgo), tendo recebido o nome de "Albert Leo Schlageter". Foi o terceiro de uma série de quatro navios construídos para a marinha alemã que incluía o "Horst Vessel" (actual "Eagle" dos Estados Unidos), o Gorch Fock (actual "Tovarish" da Ucrânia) e um outro casco, nunca concluído nem aparelhado. Um quinto navio, o "Mircea", foi propositadamente construído para a marinha romena. O aparelho do navio não concluído encontra-se no actual Gorch Fock, navio-escola alemão, construído em 1958, de acordo com os mesmos planos. Este facto atesta bem o valor das qualidades náuticas dos navios construídos vinte anos antes.
Em 1945, o “Albert Leo Schlageter”, danificado durante a guerra, foi capturado em Bremerhaven pelas forças americanas e posteriormente cedido ao Brasil, em 1948.
Em 1962 Portugal adquire-o ao Brasil para substituir o então N.E. "Sagres". Este tinha sido também um navio alemão, o "Rickmer Rickmers", construído em 1896, em Bremerhaven. Durante a 1ª Guerra Mundial foi tomado por Portugal nos Açores, no porto da Horta, em 1916. Nessa altura foi-lhe então dado o nome “Flores” e posto à disposição dos ingleses que o utilizaram para transportar material de guerra. Após o final da guerra, o veleiro foi devolvido pela Inglaterra e terminou a sua utilização como navio mercante. Em 1924, é então incorporado na marinha portuguesa, como navio-escola. Esta razão explica o facto de, nomeadamente no estrangeiro, o actual N.E. "Sagres" ser muitas vezes apelidado, erradamente, de "Sagres II". Na realidade este é o terceiro navio-escola com o nome "Sagres". Na realidade, o primeiro foi uma corveta em madeira, construída em 1858, em Inglaterra, que armava em galera. Fundeada no rio Douro serviu como navio-escola, para alunos-marinheiros, entre 1882 e 1898
“Albert Leo Schlageter"
(1937-1948)
O navio foi encomendado ao estaleiro no dia 2 de Dezembro de 1936 e a sua construção terminou no dia 15 de Julho de 1937. Foi lançado à água a 30 de Outubro de 1937.
Em 1938/39 efectuou algumas viagens de instrução, onde se destaca uma viagem às Caraíbas. Esteve então parado até ao início de 1944, altura em que foram reactivados os navios de treino devido ao facto de se constatar que os cadetes, apesar de bem preparados tecnicamente, tinham uma deficiente preparação marinheira.
No dia 14 de Novembro de 1944, no decorrer de uma viagem de instrução no Báltico, com mau tempo, o navio embateu numa mina tendo danificado seriamente a proa e colocando em risco de vida toda a guarnição.
"Guanabara"
(1948-1962)
O “Albert Leo Schlageter” foi vendido pelos Estados Unidos ao Brasil, em 1948, pelo preço simbólico de 5000 dólares, tendo o seu reboque para o Rio de Janeiro, onde chegou a 6 de Agosto, custado outro tanto. A 27 de Outubro desse mesmo ano, com o nome de “Guanabara”, foi incorporado na marinha brasileira. Como navio-escola efectuou, regularmente, várias viagens de instrução ao longo da costa brasileira. No final de 1960, insuficiente para satisfazer as necessidades de instrução e treino, foi desarmado e nele foi instalado o comando da Flotilha de Patrulheiros.
Por seu turno Portugal procurava, desde 1960, um veleiro para substituir o então N.E. “Sagres”, em fase final da sua vida útil. Por sugestão do Dr. Teotónio Pereira, e após visita e aprovação, foi negociada a aquisição do “Guanabara”. A bandeira do Brasil foi definitivamente arriada a 10 de Outubro de 1961.
"Sagres"
(desde 1962)
O N.E. “Sagres” foi aumentado ao efectivo da marinha portuguesa a 8 de Fevereiro de 1962, em cerimónia realizada no Rio de Janeiro. No dia 25 de Abril largou do Brasil e chegou a Lisboa a 23 de Junho. A continuidade de um navio-escola na marinha portuguesa teve como principal objectivo assegurar a formação marinheira dos cadetes de forma a complementar a instrução técnica e académica ministrada na Escola Naval.
Desde 1962 o N.E. “Sagres” efectuou todos os anos viagens de instrução, excepto em 1987 e 1991, devido a paragens relacionadas com a sua modernização. Aliás, foi em 1991 que o motor original foi substituído e montado a bordo um dessalinizador. Este facto, a par do ar condicionado montado em 1993, muito contribuiu para a melhoria das condições de habitabilidade.
Para além das viagens de instrução, o N.E. “Sagres” tem como missão a representação de Portugal, e da marinha portuguesa, funcionando como embaixada itinerante. Cumprindo as suas missões o N.E. “Sagres” já efectuou, inclusivamente, duas circum-navegações, em 1978/79 e 1983/84 e outras viagens de duração superior a oito meses, e já visitou 45 países. Nas duas voltas ao mundo efectuadas, o navio passou o canal do Panamá, bem como na viagem em que participou na Regata Colombo, em 1992. Em 1993 passou o cabo da Boa Esperança, fez escala em Cape Town, na África do Sul, e visitou o Japão pela terceira vez.
O Infante D. Henrique (1394-1460)
O Infante D. Henrique, figura de proa do N.E. “Sagres”, terceiro filho de D. João I, foi o grande impulsionador dos descobrimentos portugueses. No início da expansão portuguesa em África. Participou ao lado de seu pai na conquista de Ceuta, em 1415. Durante o período em que o Infante viveu, Portugal consolida a sua opção atlântica, já patente aquando da aliança com Inglaterra, estabelecida em 1373. O grande mérito da sua acção em apoiar e incentivar as viagens de descobrimento foi crucial para o impulso da exploração geográfica e económica das terras do litoral africano e das ilhas atlânticas. Tal facto possibilitou a descoberta (1419) e colonização da Madeira (1425), o dobrar do cabo Bojador (1434), a descoberta (1427) e colonização dos Açores (1439), o chegar ao cabo Branco (1441), à ilha de Arguim (1443), ao rio Senegal (1444), ao arquipélago de Cabo Verde (1456) e à Serra Leoa (1460).
Com uma postura pragmática e calculista, criou as bases para a expansão marítima que iniciou e que pôde, após a sua morte, ser continuada. Na realidade, quando ordenou as primeiras viagens para sul, os seus objectivos, face aos valores da época, não seriam inovadores. Mas os resultados dessas navegações foram extraordinários para Portugal e para o mundo. A sua divisa “talant de bien faire” (vontade de bem fazer) é pois com toda a justiça utilizada no brasão de armas da Escola Naval.
Faz precisamente hoje 4 anos, que foi fundada oficialmente, a nossa Associação de Combatentes do Concelho de Arganil.
Como se dizia no primeiro poste colocado neste Blogue:
Foi com alegria que, no longínquo mês de Janeiro de 1974, recebi a notícia, na Guiné, mais concretamente no Chugué, em plenas matas do Tombali, no sul, onde me encontrava há longos meses, da chegada de um conterrâneo desconhecido.
A alegria e a curiosidade de saber quem era, levou-me a assistir à atracagem da LDM da Marinha, no Rio Cumbijá, a qual nos trazia mantimentos, material de guerra e… o tal conterrâneo desconhecido. Fiquei a conhecê-lo nesse dia. Tratava-se do António Fernando Ribeiro de Paiva, de Vila Cova do Alva.
Como “velhinho”, e como era da praxe, levei-o ao bar para mitigar a sede. Aí começámos a travar longa conversa. Já cansados, acabou por se instalar nos seus “luxuosos aposentos”, já que eu, nessa noite, estava de serviço.
Entretanto, continuei a acompanhá-lo sempre que podia e daí a nossa grande amizade ao longo do tempo, tanto na tropa como mais tarde na vida civil. Ele como funcionário da Câmara Municipal de Arganil, eu ligado às telecomunicações, encontrávamo-nos amiudadas vezes e essas vezes serviam para trocar dois dedos de conversa. Essa conversa ia direitinha aos tempos idos da vida militar, como não podia deixar de ser, mas também não passava despercebida a que se passava no dia-a-dia.
Mas a morte, sempre à espreita, deixou marcas profundas em mais um lar e com ela deixou a dor e o luto, com o desaparecimento prematuro deste vilacovense.
Mesmo minado por doença que não perdoa, o amigo Paiva falava da sua doença com uma naturalidade que pasmava. Já debilitado, dizia que tudo estava a correr bem e que era uma questão de tempo.
Tinhas razão, meu amigo… foi só uma questão de tempo… para deixares esta vida, uma vida de um Grande Combatente, tanto no sertão guineense, como depois na vida civil, rodeado da família e dos amigos.
Não esquecer ainda que o amigo Paiva foi um grande amigo da sua terra, pois deu boa colaboração às instituições locais, nomeadamente ao Grupo Desportivo Vilacovense, de que foi um dos fundadores.
Por tudo isto e mais que fica por dizer em abono da memória deste amigo, aqui fica a minha homenagem. Que descanse em paz.
Até um dia, amigo Paiva.
António José Vasconcelos.
PS – Se a foto que se insere retrata a saída do mato de nós os dois (o António Paiva à direita, eu à esquerda) de regresso a Bissau, a fotocópia documenta a rendição individual que o Paiva foi fazer na Companhia.







No seu 5.º Convívio
Combatentes de Tábua honraram os seus camaradas mortos
É usual a Associação de Combatentes do Concelho de Tábua celebrar anualmente o seu aniversário no dia da implantação da República, acontecimento histórico ocorrido no 5 de Outubro de 1910.
Foi em data tão marcante da história pátria que o País teve uma nova vida, vida que se prolongou no tempo, sem que ao longo de décadas os caminhos não tivessem espinhos, que aqui e acolá não tenham sido sanadas algumas feridas, mas que, entretanto, outras fossem abertas, que durante anos minou a juventude portuguesa. Primeiro foi a I Grande Guerra, que atirou para as trincheiras de Flandres, em França, durante quatro anos, os jovens dessa altura; e posteriormente, passados que foram 43 anos, mais propriamente em 1961, nova afronta minasse a juventude portuguesa, com a iniciação da denominada Guerra do Ultramar, que se iniciou na Índia e se estendeu depois às colónias de Angola, Moçambique, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor.
Até 1974 foi uma guerra que deixou marcas na Juventude Portuguesa. Passados 50 anos, essas mazelas ainda permanecem nalguns desses jovens – hoje já septuagenários ou sexagenários – ou vieram mutilados e minados pelo chamado Stress de Guerra, enquanto alguns milhares não chegaram a ver a sua terra, a sua família, os seus amigos. E são esses, que verteram sangue em defesa da Pátria, que as diversas Associações de Combatentes tentam, ao longo dos tempos, recordar a sua memória, erigindo monumentos ou incluindo os seus nomes nas toponímias da aldeia que os viu nascer e viu crescer, até que um dia abalaram para uma guerra que não era sua, mas que envolvia a defesa da soberania nacional, cuja Pátria antes tinha já dado heróis nas diversas contendas desde o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.
Só que, passados estes anos, os diversos Governos da Nação tentaram encobrir a Guerra do Ultramar, esquecendo os que tudo deram, tendo apenas como conforto e ânimo os símbolos fortes da Bandeira e do Hino Nacional.
Aliás, nestas comemorações, depois de António Carvalho Nunes, Presidente da Associação de Combatentes do Concelho de Tábua, ter pronunciado algumas palavras sobre o momento e deixado alguns alertas em defesa daqueles que ainda sofrem, não esqueceu os soldados fortes que ali têm inscritos os seus nomes em placa bem visível, os quais leu individualmente, em voz alta, e que toda a assistência retorquiu: “Presente”!... É por eles (os 21 soldados que ali têm o seu nome), como disse, que “estamos aqui, para que a sua memória não seja esquecida”.
Também o Presidente da Câmara de Tábua, Eng. Ivo Portela, ao falar dos valores que a República introduziu no Pais, elogiou a bravura dos nossos Combatentes, sendo obrigação da autarquia “em manter viva a chama que recorda aqueles que morreram pela Pátria”.
Após a colocação de coroas e ramos de flores no monumento, por Associações presentes e familiares, o edil tabuense convidou todos a assistir ao simbolismo do hastear da Bandeira e ao toque do Hino Nacional, cerimónias que ocorreram nos Paços do Município, com a participação da Fanfarra dos Bombeiros locais e da Tuna Mouronhense.
Depois, teve lugar o almoço de confraternização, na sede da Comissão de Melhoramentos da Freguesia de Carapinha, repasto que foi bem servido pelo Restaurante “Manjar”, de Arganil.
No final ainda houve tempo para alguns oradores marcarem com as suas intervenções o forte apego que todos têm nestes momentos de convívio, marcados através de conversas saudosas de outros tempos. Se Rogério Neves, presidente da colectividade, dispôs as instalações para mais iniciativas do género, o Presidente da Associação de Arganil, Leonel Costa, teceu fortes críticas à forma como “os altos comandos” vêem o Combatente, sobretudo aquele que sofre ainda na carne as agruras desse tempo, e Fernando Carvalho Andrade, Presidente da Assembleia-Geral da Associação de Tábua, teceu algumas considerações sobre o Combatente, quer o que combateu na Flandres, quer o que combateu em África, sendo de opinião que todos são Combatentes e por isso todos merecem respeito.
O momento terminou com música, graças à participação da Escola de Música da Moita da Serra.
O 6.º Convívio da Associação de Combatentes do Concelho de Tábua, segundo o seu Presidente de Direcção, terá lugar, em 2011, em Póvoa de Midões.
Como se trata da Banda do Exército, da Região Militar do Norte, não será descabido incluir nesta rubrica a sua presença no fecho das cerimónias do feriado municipal de Oliveira do Hospital, actos que evocaram também os 100 anos da implantação da República.
Foi na Praça do Município que se evocou a República e na Praça Ribeiro do Amaral as restantes cerimónias, tendo pelo meio o hastear da Bandeira Nacional, uma gigante bandeira, diga-se, que antes de subir ao mastro teve sob as suas cores centenas de crianças, que ao mesmo tempo entoaram o nosso Hino, tocado pela maravilhosa Banda do Exército.
Registe-se ainda que na parte da manhã, em sessão solene, foram homenageados personalidades que em diferentes sectores da vida local evidenciaram as cores das comunidades Oliveirenses. Foram eles: Aristides Gonçalves Costa, de Avô; Correia Dias, de Seixo da Beira; Carlos Pires e a Associação Recreativa e Desportiva de Nogueira do Cravo.

A Associação de Combatentes do Concelho de Arganil foi convidada pela sua congénere de Tábua para estar presente no seu 5.º convívio, que vai realizar-se no dia 5 de Outubro de 2010, convite que foi aceite pela sua Direcção, em reunião efectuada no dia 23.
O programa do convívio está assim delineado:
9.30 horas, homenagem aos militares falecidos, cujos nomes se encontram inscritos no monumento, em Tábua;
11 horas, Missa celebrada na Igreja Matriz da Carapinha, em cuja localidade,
12 horas será efectuada uma romagem ao cemitério e meia hora depois descerramento de placa que homenageará os militares daquela freguesia falecidos, dando o nome de Largo dos Combatentes.
13.30 horas é servido o almoço de confraternização, na sede da COMECA (Comissão de Melhoramentos da Carapinha).
As inscrições podem ser feitas, marcando o número para:
Octávio (Café Central de Mouronho), 235711870-962552330;
Abílio (Carapinha), 235711820-235712300;
Aníbal Martins (Café da Pereira), 235711820-961076366;
António Fonseca (Leitaria-Tábua), 235412191;
Junta de Freguesia de Carapinha, 235713737.
A subida do Rio Douro “Régua a Barca D’Alva”.
Dois Autocarros, com cerca de 72 pessoas (27 de Oliveira do Hospital) , rumaram de Arganil até à Régua. Passeio atractivo e com muita alegria e convívio, como já é hábito da Associação.
Todos os presentes se divertiram, contando para isso com a participação de mais dois grupos que viajavam no mesmo barco “Transdouro”.
Um dia bem passado e bem animado. Não faltando o baile a bordo.
De regresso tivemos que fazer uma paragem em Celorico para devastar os vários sacos de farnel que cada um levava.
Nunca será demais salientar aqueles que tudo fazem para acudir ao sofrimento que alguns Combatentes do ex-Ultramar Português contraíram com as guerras nele desenroladas, sobretudo o chamado Stress de Guerra, não falando dos mutilados, já que dos mortos esses nada sentiram ao longo destes anos, a não ser a dor pungente que deixaram aos familiares, perdendo um ente querido em plena flor da idade.