terça-feira, 2 de novembro de 2010

Três gestos de saudade

Aproveitando o Dia de Todos-os-Santos, data que são lembrados os nossos mortos, a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil não quis também esquecer a memória dos que tombaram em defesa da Pátria nas guerras ultramarinas. Indo ao encontro desse sentir, três elementos da Associação – Leonel Costa, José André e José Vasconcelos – deslocaram-se às sedes de freguesia onde foram colocados ramos de flores nos monumentos ali implantados.
Iniciou-se a romagem pelas 10 horas. Em Pomares, na presença do Presidente da Junta de Freguesia, Amândio Fernandes Dinis, e de alguns familiares dos quatro mortos – Fernando Dias Marques, na Guiné, Ramiro Cosme Costa, Germano Jesus Castanheira e Ernesto Santos Marques Sousa, em Angola – assistiu-se a uma cena muito pungente para quem presenciou. É que a mãe do Ramiro entregou um donativo à Associação para as despesas que vai tendo, em memória do filho.





Na Abrunheira (S. Martinho da Cortiça), na presença do Presidente da Junta de Freguesia, Rui Franco, e mais algumas pessoas, homenageou António Artur Conceição Pereira, falecido na Guiné.




Em Arganil, no monumento da Rotunda do Sobreiral, estiveram presentes mais alguns elementos da Associação e da Associação de Comandos.Neste monumento, que homenageia os mortos do concelho, indicamos os que ainda não foram mencionados: Raul Oliveira Neves, do Maladão, morto na Guiné; Luciano Jesus Dias, de Cepos, morto em Angola; António Agostinho Dinis (Moçambique), Sebastião José da Cruz Antunes (Angola), Vítor Manuel Castanheira Costa (Angola), da freguesia de Folques; José Henrique Pedro (Moçambique), de Moura da Serra; José Lourenço Antunes (Angola), do Piódão; Horácio Dias Ferreira (Angola), de Pombeiro da Beira; Manuel Francisco Silva (Moçambique) e Amândio da Silva Carvalho (Guiné), do Sarzedo; António Marques Lucas e Adelino Nunes, de Teixeira, mortos na Guiné.




Entretanto, em Vila Cova do Alva, os dirigentes José Carlos Ventura e António Vasconcelos, deslocaram-se ao cemitério para depor um ramo de flores na campa de António Fernando Ribeiro Paiva, falecido recentemente vítima de doença que não perdoa. Combateu na Guiné.
Além de, na reunião de direcção se ter proposto um voto de pesar pela perda do associado e amigo da Associação, os dois elementos acima indicados levaram ainda uma carta de condolências que foi entregue à família.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

NOITE BRANCA


Mais um evento organizado pela nossa Associação.

Obrigatório levar uma peça de roupa branca VESTIDA

MEGA MAGUSTO

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Combatentes de Tábua honraram os seus camaradas mortos

No seu 5.º Convívio

Combatentes de Tábua honraram os seus camaradas mortos

É usual a Associação de Combatentes do Concelho de Tábua celebrar anualmente o seu aniversário no dia da implantação da República, acontecimento histórico ocorrido no 5 de Outubro de 1910.

Foi em data tão marcante da história pátria que o País teve uma nova vida, vida que se prolongou no tempo, sem que ao longo de décadas os caminhos não tivessem espinhos, que aqui e acolá não tenham sido sanadas algumas feridas, mas que, entretanto, outras fossem abertas, que durante anos minou a juventude portuguesa. Primeiro foi a I Grande Guerra, que atirou para as trincheiras de Flandres, em França, durante quatro anos, os jovens dessa altura; e posteriormente, passados que foram 43 anos, mais propriamente em 1961, nova afronta minasse a juventude portuguesa, com a iniciação da denominada Guerra do Ultramar, que se iniciou na Índia e se estendeu depois às colónias de Angola, Moçambique, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor.

Até 1974 foi uma guerra que deixou marcas na Juventude Portuguesa. Passados 50 anos, essas mazelas ainda permanecem nalguns desses jovens – hoje já septuagenários ou sexagenários – ou vieram mutilados e minados pelo chamado Stress de Guerra, enquanto alguns milhares não chegaram a ver a sua terra, a sua família, os seus amigos. E são esses, que verteram sangue em defesa da Pátria, que as diversas Associações de Combatentes tentam, ao longo dos tempos, recordar a sua memória, erigindo monumentos ou incluindo os seus nomes nas toponímias da aldeia que os viu nascer e viu crescer, até que um dia abalaram para uma guerra que não era sua, mas que envolvia a defesa da soberania nacional, cuja Pátria antes tinha já dado heróis nas diversas contendas desde o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Só que, passados estes anos, os diversos Governos da Nação tentaram encobrir a Guerra do Ultramar, esquecendo os que tudo deram, tendo apenas como conforto e ânimo os símbolos fortes da Bandeira e do Hino Nacional.

Aliás, nestas comemorações, depois de António Carvalho Nunes, Presidente da Associação de Combatentes do Concelho de Tábua, ter pronunciado algumas palavras sobre o momento e deixado alguns alertas em defesa daqueles que ainda sofrem, não esqueceu os soldados fortes que ali têm inscritos os seus nomes em placa bem visível, os quais leu individualmente, em voz alta, e que toda a assistência retorquiu: “Presente”!... É por eles (os 21 soldados que ali têm o seu nome), como disse, que “estamos aqui, para que a sua memória não seja esquecida”.

Também o Presidente da Câmara de Tábua, Eng. Ivo Portela, ao falar dos valores que a República introduziu no Pais, elogiou a bravura dos nossos Combatentes, sendo obrigação da autarquia “em manter viva a chama que recorda aqueles que morreram pela Pátria”.

Após a colocação de coroas e ramos de flores no monumento, por Associações presentes e familiares, o edil tabuense convidou todos a assistir ao simbolismo do hastear da Bandeira e ao toque do Hino Nacional, cerimónias que ocorreram nos Paços do Município, com a participação da Fanfarra dos Bombeiros locais e da Tuna Mouronhense.



As cerimónias do 5.º Convívio da Associação prosseguiram na Carapinha. Levada a efeito uma romagem ao cemitério, na igreja matriz foi celebrada missa em louvor dos mortos, pelo Padre Manuel Paiva, que enalteceu também o papel dos bravos soldados portugueses em terras africanas. Depois, no triângulo que dá acesso à povoação, após alindamento, foi ao Largo dado o nome dos Combatentes, iniciativa que partiu da Junta de Freguesia, e que, por isso, o seu Presidente, António Esteves, em breves palavras, salientou o forte simbolismo contido naquele espaço, que a partir d’agora evoca a memória não só dos Combatentes da Freguesia, mas também do País.

Depois, teve lugar o almoço de confraternização, na sede da Comissão de Melhoramentos da Freguesia de Carapinha, repasto que foi bem servido pelo Restaurante “Manjar”, de Arganil.

No final ainda houve tempo para alguns oradores marcarem com as suas intervenções o forte apego que todos têm nestes momentos de convívio, marcados através de conversas saudosas de outros tempos. Se Rogério Neves, presidente da colectividade, dispôs as instalações para mais iniciativas do género, o Presidente da Associação de Arganil, Leonel Costa, teceu fortes críticas à forma como “os altos comandos” vêem o Combatente, sobretudo aquele que sofre ainda na carne as agruras desse tempo, e Fernando Carvalho Andrade, Presidente da Assembleia-Geral da Associação de Tábua, teceu algumas considerações sobre o Combatente, quer o que combateu na Flandres, quer o que combateu em África, sendo de opinião que todos são Combatentes e por isso todos merecem respeito.

O momento terminou com música, graças à participação da Escola de Música da Moita da Serra.

O 6.º Convívio da Associação de Combatentes do Concelho de Tábua, segundo o seu Presidente de Direcção, terá lugar, em 2011, em Póvoa de Midões.

Visita ilustre entrou na “Casa do Cantoneiro”

No início de Setembro a nossa sede teve uma visita ilustre, que muito honrou a Associação.
Os Combatentes, Directores Leonel Costa, José Augusto Gomes e Romão Mateus, serviram de anfitriões ao Comandante António José Costa Mateus, um arganilense que singrou na Marinha, chegando ao posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra. Aliás, a “Casa do Cantoneiro” é também um símbolo forte para o Comandante Mateus, pois foi no Bairro do Prazo que nasceu e cresceu e se habituou a conviver também com o Cabo Cantoneiro Casimiro, esposa e filhos.
A visita proporcionou ao ilustre filho deste chão arganilense verificar o que a Associação fez no espaço, cujo museu apreciou e elogiou com vivacidade. Registe-se que o Comandante Mateus foi um dos fortes propulsores para que a Marinha estivesse bem representada na nossa sede. Mesmo assim prometeu continuar com o seu apoio.
Já agora, recordamos que o Comandante Mateus era filho do grande industrial de Arganil, António Mateus, construtor do prédio sito na Avenida José Augusto Carvalho, em cujos baixos funcionou a sua mecânica e na parte de cima instalou as bombas de combustíveis, ainda existentes.
Quando vier à sua e nossa terra, cá estaremos para o abraçar novamente, Comandante Mateus!

Banda do Exército em Oliveira do Hospital

Como se trata da Banda do Exército, da Região Militar do Norte, não será descabido incluir nesta rubrica a sua presença no fecho das cerimónias do feriado municipal de Oliveira do Hospital, actos que evocaram também os 100 anos da implantação da República.

Foi na Praça do Município que se evocou a República e na Praça Ribeiro do Amaral as restantes cerimónias, tendo pelo meio o hastear da Bandeira Nacional, uma gigante bandeira, diga-se, que antes de subir ao mastro teve sob as suas cores centenas de crianças, que ao mesmo tempo entoaram o nosso Hino, tocado pela maravilhosa Banda do Exército.

Registe-se ainda que na parte da manhã, em sessão solene, foram homenageados personalidades que em diferentes sectores da vida local evidenciaram as cores das comunidades Oliveirenses. Foram eles: Aristides Gonçalves Costa, de Avô; Correia Dias, de Seixo da Beira; Carlos Pires e a Associação Recreativa e Desportiva de Nogueira do Cravo.


terça-feira, 28 de setembro de 2010

5.º Encontro de Convívio dos Combatentes de Tábua

A Associação de Combatentes do Concelho de Arganil foi convidada pela sua congénere de Tábua para estar presente no seu 5.º convívio, que vai realizar-se no dia 5 de Outubro de 2010, convite que foi aceite pela sua Direcção, em reunião efectuada no dia 23.


O programa do convívio está assim delineado:

9.30 horas, homenagem aos militares falecidos, cujos nomes se encontram inscritos no monumento, em Tábua;

11 horas, Missa celebrada na Igreja Matriz da Carapinha, em cuja localidade,

12 horas será efectuada uma romagem ao cemitério e meia hora depois descerramento de placa que homenageará os militares daquela freguesia falecidos, dando o nome de Largo dos Combatentes.

13.30 horas é servido o almoço de confraternização, na sede da COMECA (Comissão de Melhoramentos da Carapinha).


As inscrições podem ser feitas, marcando o número para:

Octávio (Café Central de Mouronho), 235711870-962552330;

Abílio (Carapinha), 235711820-235712300;

Aníbal Martins (Café da Pereira), 235711820-961076366;

António Fonseca (Leitaria-Tábua), 235412191;

Junta de Freguesia de Carapinha, 235713737.

domingo, 26 de setembro de 2010

A subida do Rio Douro “Régua a Barca D’Alva”


Realizou-se hoje mais uma actividade da Associação de Combatentes do Concelho de Arganil.

A subida do Rio Douro “Régua a Barca D’Alva”.

Dois Autocarros, com cerca de 72 pessoas (27 de Oliveira do Hospital) , rumaram de Arganil até à Régua. Passeio atractivo e com muita alegria e convívio, como já é hábito da Associação.

Todos os presentes se divertiram, contando para isso com a participação de mais dois grupos que viajavam no mesmo barco “Transdouro”.




O repasto: Pequeno Almoço, Porto de honra e Almoço correu sempre dentro das normas gastronómicas. Boa comida e boa pinga.

Um dia bem passado e bem animado. Não faltando o baile a bordo.

De regresso tivemos que fazer uma paragem em Celorico para devastar os vários sacos de farnel que cada um levava.



quinta-feira, 23 de setembro de 2010

TONDELA acolhe espaço para apoiar Combatentes

Nunca será demais salientar aqueles que tudo fazem para acudir ao sofrimento que alguns Combatentes do ex-Ultramar Português contraíram com as guerras nele desenroladas, sobretudo o chamado Stress de Guerra, não falando dos mutilados, já que dos mortos esses nada sentiram ao longo destes anos, a não ser a dor pungente que deixaram aos familiares, perdendo um ente querido em plena flor da idade.
Ainda bem que, aqui e acolá, apareceram grupos que, passando a Núcleos, souberam progredir e chegar à formação de Associações. Posteriormente, com a criação de Federações, que passou a englobar Associações espalhadas pelo país, como é o caso da Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, vê o seu estatuto mais fortalecido, já que a Federação Portuguesa das Associações de Combatentes passou a ter assento no Conselho Consultivo de Apoio aos Antigos Combatentes.
No meio de tudo isto, porém, há que referir a força que alguns combatentes, embora na casa dos cinquenta, sessenta ou setenta anos mesmo, ainda possuem no seu coração a força anímica para fazer coisas a fim de ajudar o seu camarada que, por infelicidade, não conseguiu sair ileso dessa guerra de 14 anos.
Pois bem, Tondela, uma cidade ainda jovem, tem no seu seio duas instituições que marcam a diferença dentro daquilo que atrás se escreve: a Associação e a Federação de Combatentes.
Pode dizer-se que todo esse desenvolvimento se deve a um camarada que ao longo de anos se vem debatendo para que o sonho social em ajudar os outros viesse a concretizar-se. Chama-se António Ferraz, um advogado muito conceituado na praça de Tondela.
Se na celebração do 28.º aniversário da Associação, ocorrida no dia 12 de Setembro de 2010, foi posta mais uma vez a claro o arrojo e a tenacidade deste tondelense, não passou despercebida também, com forte ênfase, a colaboração estreita que a Associação de Tondela tem recebido da parte do Presidente da Câmara, Dr. Carlos Marta. Primeiro, a construção do Monumento em memória dos 49 soldados que perderam a vida em combate; segundo, a entrega do edifício da Escola Primária Conde Ferreira, através da assinatura de protocolo, para ali funcionar a sede; terceiro, a ajuda incondicional que o autarca irá dar no presente, tendo em vista o futuro, com a edificação de um Posto Médico, sedeado na retaguarda da sede da Associação, onde serão, a partir de Janeiro de 2011, recebidos e apoiados os Combatentes que sofrem de stress de guerra e posteriormente, anunciou o Presidente da Associação, o carro poderá avançar mais transportando boas-novas, como seja o apoio total aos Combatentes que em vez de se deslocarem ao Centro de Saúde para serem consultados, onde permanecem horas e horas a fio para serem atendidos, podê-lo-ão fazer no Posto Médico ora inaugurado.
Como disse na sessão solene realizada no Auditório Municipal, Carlos Marta não só afirmou que via com orgulho e honra a sua cidade ser o centro dos Combatentes de Portugal, afirmando que “apesar de todas as dificuldades, vocês são todos o bom exemplo, porque nunca deixaram cair os braços e é dentro desses exemplos que temos de encontrar um novo país”. Tondela é um concelho solidário, e neste âmbito evidenciou a obra que o Dr. Ferraz está a desenvolver, desenvolvimento que passa também, segundo o autarca, por uma cidade mais alegre, onde a requalificação urbanística e o ambiente social e económico, são pedras basilares que vão fazer de Tondela um concelho ainda mais reluzente em terras da Beira Alta.
Na sessão solene referida participaram ainda diversas entidades, entre as quais o representante do Governador Civil de Viseu, o General Aníbal Flambó, ligado ao Ministério da Defesa na área do apoio ao Combatente, Tenente-General Chito Rodrigues, da Liga dos Combatentes e Dr. Barroso da Fonte, que foi um dos fundadores da Associação. Porém, seria o Presidente da Assembleia-Geral da Associação de Combatentes local, Dr. Tenreiro da Cruz, a par das palavras dos oradores antecedentes, a ter um discurso bastante inflamado, onde afirmou a dado passo: “…é obrigação de Portugal reconhecer os sacrifícios que todos estes jovens fizeram por Portugal. Tardou, mas é com grato prazer que agora já se verifica haver um repensar sobre a Guerra do Ultramar. Já se ouvem alguns políticos, talvez com intenções muito próprias, que se orgulhavam de lutar contra a ditadura e por isso se orgulhavam de terem desertado, fazerem questão de afirmarem que foram Combatentes no Ultramar”. Se a vida militar para a maioria “foi uma escola de virtudes e de aprendizagem”, hoje, salvo raras excepções, “os jovens não são solidários, pois não aprenderam os valores da camaradagem”. E finaliza assim o Dr. Tenreiro da Cruz: “Hoje a Pátria é o dinheiro e se for fácil melhor”, deixando ainda este gesto de agradecimento ao Dr. António Ferraz, Presidente da Direcção da Associação: “Porque ele é o exemplo do Homem que é solidário e que se sacrifica pelos outros e em defesa dos outros, sem interesses quer pessoais, quer patrimoniais”.
As cerimónias prosseguiram, com a celebração da eucaristia, na Igreja do Carmo, mas antes já havia acontecido a romagem ao Monumento, onde foram depositados ramos e coroas de flores, não faltando o cantar do Hino Nacional. A finalizar este dia de convívio, que só o Combatente sente de uma forma muito especial, teve lugar o almoço e depois na sede da Associação a confraternização prosseguiu.
Apraz acrescentar que a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil esteve representada com o seu estandarte e com os directores Leonel Costa, José Travassos de Vasconcelos e Artur Manuel Travassos Correia.
Refira-se ainda que às Associações representadas foi oferecido um lindo quadro, em barro de Molelos, com uma inscrição a marcar o 28.º aniversário da Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar.


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A História do Batalhão de Artilharia 1885


No dia 4 de Setembro de 2010 foi lançado o livro com o título em epígrafe. A autoria do mesmo é do combatente Alfredo Fonseca, residente em S. Pedro de Alva (Penacova). Esse lançamento teve como cenário a linda zona turística da Senhora da Ribeira, na freguesia de Pinheiro de Ázere, durante o almoço anual da Companhia de Artilharia 1885.

Se Alfredo Fonseca já possui no seu bornal o lançamento de dois livros – “Memórias do Sofrimento”, em 2001 e “Pegadas dos Meus Pés”, em 2006 - continua na senha de escritos, os quais ficarão na memória de quantos sofreram na pele e na carne os anos passados em terras africanas.

A esta cerimónia participaram os Presidentes da Câmara Municipal de Penacova (Dr. Humberto Oliveira) e da Junta de Freguesia de S. Pedro de Alva (Luís Adelino), ambos tendo, na altura própria, realçado os valores humanos do escritor, evidenciando ainda as suas virtudes quanto ao seu apego a S. Pedro de Alva, não só como autarca, cujo trabalho relevaram, como no associativismo, concretamente a acção que vem desenvolvendo na Casa do Povo.

Falando de memória, há que registar as palavras da Dr.ª Maria Leonarda Tavares, de Arganil, que fez a apresentação do livro. Sendo esposa de um paraplégico, de nome Rui Morgado, um dos muitos que ainda vivem com as agruras e o sofrimento dessa guerra, recordou que foi desde 1968 “que a guerra também entrou na minha vida; e tenho lutado pela vossa causa que é também minha”. Estando ali a convite do autor, porque sabendo “o quanto tenho vivido o sofrimento de muitos dos que regressaram de África feridos no corpo e na alma”, recorda que o autor do livro “aponta o dedo aos senhores que nos governam por se alienarem desta questão e por abandonarem os ex-Combatentes à solidão da injustiça nunca assumida, nem resolvida”. Frisando que foi dentro do muito sofrido e muito duro e em situações de extrema dificuldade que se gera “uma coesão que perdura pela vida fora”, Leonarda Tavares reforça que “Quem ler o relato dos acontecimentos de Alfredo Fonseca não olvidará jamais os momentos mais impressionantes: a fome, as longas e penosas caminhadas, as saudades da família e dos amigos, a angústia de enfrentar o desconhecido, o perigo sempre iminente, o sofrimento dos camaradas feridos e pior ainda perder para sempre os que morreram a seu lado”. Concluindo as suas palavras, a apresentadora do livro enfatiza que “o sr. Alfredo Fonseca tem contribuído para que a memória da guerra não se apague. É um trabalho de cidadania responsável; é o esforço de um homem lutador que não desiste do reconhecimento que lhe cabe por direito, a si próprio e aos seus camaradas. Que a vida lhe conceda a paz de um dever bem cumprido que tem sabido partilhar com os outros”… e parabéns e obrigada por esta corajosa herança”.

Nesta sessão a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil esteve representada pelo seu porta-voz José Travassos de Vasconcelos, amigo de há muitos anos de Alfredo Fonseca.

Recorde-se que Alfredo Fonseca, depois de agradecer a presença de todos, deixou o desabafo de que já lançou a ideia de no concelho de Penacova se formar uma Associação de Combatentes, mas tem encontrado, segundo o próprio, o desinteresse daqueles que mais deviam fazer força para que a iniciativa vingasse.

Soubemos ainda que o autor deste livro tem em mãos um outro, sendo este relacionado com a história da sua freguesia – S. Pedro de Alva.



sábado, 18 de setembro de 2010

Presença na FICABEIRA (2)

Como se escreveu, a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil esteve presente na FICABEIRA / Feira do Mont’Alto, entre os dias 4 e 8 de Setembro de 2010. O stand esteve bem ornamentado, onde os diversos cenários marcaram uma época e fazem reviver os anos que se passaram em sertões africanos.
Além do mais, este espaço serviu também para o convívio. Diversos camaradas ali se abeiraram, e com tal panorama voltaram anos atrás, vivendo algo que só o Combatente sabe sentir e traduzir.
Paralelamente ao convívio, houve quem nos transmitisse força e ânimo para não arrefecer a nossa luta, luta que passará também e doravante, no auxílio de camaradas e suas famílias que necessitarem de ajuda social e monetária, inclusivamente.
Nestes termos, a nossa sede será o palco social para o efeito, cujas portas se abrirão em dias determinados. Também a salão-bar será o espaço de convívio e de confraternização de combatentes, sócios, amigos e familiares. Será, por assim dizer, um barco de apoio, onde a bonança será um clarim com toque à amizade.

No dia inaugural da Feira visitaram o stand não só o Presidente da Câmara, Eng. Ricardo Pereira Alves, mas também o Presidente da Assembleia Municipal, Dr. José Dias Ferreira, o Assessor do Governador Civil de Coimbra, Dr. António Sérgio, o Presidente da Região Turismo do Centro, Dr. Pedro Machado, Vereadores Camarários Dr. Avelino Pedroso, Drs. António Cardoso e Luís Paulo Costa e Dr.ª Paula Inês Dinis e Dr. Miguel Ventura), Provedor da Santa Casa, Comendador José Dias Coimbra, Presidente da Junta de Freguesia de Arganil, João Travassos, e ainda os Presidentes de Câmara de Oliveira do Hospital e Penacova e um representante das autarquias de Góis e Tábua. Durante os dias que se seguiram outras personalidades passaram pelo nosso espaço, inclusive o habitual grupo de mulheres, devidamente identificado, que mais um ano quis que a sua presença fosse salutar e divertida, como se vê na foto.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ficabeira 2010

Conforme estava previsto e divulgado, a nossa Associação participou na XXIX Ficabeira de Arganil, integrada na Feira do Mont'Alto.
Foi como é costume, um sucesso.
O stand foi visitado e chamou a atenção de muitos veraneantes.
Tentamos com esta participação mostrar a todos o que somos, o que pretendemos.
Tentamos levar a bom porto o nome da nossa/vossa Associação.
Fomos interpolados pelos mais diversos escalões etários.
Uns por curiosidades e outros para recordar velhos tempos.
Deixamos aqui uma mostragem do nosso stand.


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Filarmónica tem nova bandeira

Ao lerem este título, dirão alguns: O que tem a ver a Filarmónica com a Associação de Combatentes? É simples. É que na banda arganilense militam Combatentes, quer executantes, quer dirigentes e, por isso, não fica descabido de, neste “Sítio”, mencionarmos o grande momento que a Instituição e a Comunidade viveram antes da realização da Procissão de Velas.

Oferecida pela arganilense professora e escritora Albertina Jorge Figueiredo, irmã de três executantes da banda (também combatentes), tia e cunhada de dois dirigentes, a bandeira foi benzida pelo nosso cónego reitor Manuel da Silva Martins, bênção que foi enriquecida com palavras muito honrosas para com a sua benfeitora.

Com a nossa vila em pano de fundo, a cerimónia foi muito enriquecedora social e culturalmente, pois a nossa banda, ao longo de 158 anos tem sido o emblema forte e vivo da cultura arganilense e por ela têm passado diversas gerações.

Registe-se que a bandeira agora substituída já datava de 1953 e neste andamento necessitava de ser substituída. Que o diga o seu porte bandeira, Horácio Ribeiro: Cada vez que lhe pegava o cuidado era sempre pouco.

Em nome da Associação dos Combatentes, aqui fica um forte e sentido aplauso à professora Albertina, por este gesto benemerente, pois demonstra, tal como seus irmãos e demais familiares, um forte carinho pela sua, pela nossa querida Filarmónica.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A Associação está na FICABEIRA


Como já vai sendo usual, a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil estará presentes na FICABEIRA 2010, com um stand, onde os sócios e amigos poderão conviver e pôr em dia as suas obrigações para com a Associação, neste caso o pagamento de quotas. Sobre esta permanência daremos mais pormenores.

Como se sabe, a Feira decorre entre sábado dia 4 e quarta-feira dia 8.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Combatentes da Guiné têm convívio em Fátima


Segundo convite endereçado à Associação para estar presente, tem lugar no dia 5 de Outubro de 2010, o 29.º Convívio Nacional dos Antigos Combatentes da Guiné. O local do encontro está aprazado para o Complexo Turístico D. Nuno, Estrada de Minde, n.º 326 – Boleiros – 2495-308 Fátima. As inscrições podem ser feitas através de 966003293 ou 232183926. Quem desejar escrever, põe fazê-lo para: Isaías Peralta – Apartado 42 – 3534-909 Mangualde.


Mais informações sobre o convivio: AQUI:

http://www.combatentesdaguine.blogspot.com/



Eng. Francisco Borges Leitão: Um amigo


Já escrevemos neste sítio sobre a figura do Eng. Francisco Borges Leitão, oriundo de Secarias. Para além de ser um amigo íntegro e de corpo inteiro da Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, cuja bolsa está sempre aberta para colaborar, enviou agora à Associação um escrito histórico, com episódios passados durante o ano de 1961, que embora não fosse militar, mas soube sempre honrar aquele que usava farda, que mesmo a não usando, pegou em armas para defender a integridade nacional.

Na sua carta, referindo-se ao grande acontecimento que foi a celebração de mais um aniversário, no dia 8 de Agosto, e referindo-se à falta de colaboração do Exército na obtenção de material ara exposição, escreve: “…lamentavelmente não foi possível obter-se colaboração do Exército, mas penso que não há razão para desistir. Por vezes, uma “cunha” a um Sargento ou Oficial subalterno resulta mais do que a influência dos Altos Comandos. Vamos tentar descobrir a tal “cunha” numa das unidades da Zona Militar de Coimbra…” A terminar a sua carta, o Eng. Leitão conta dois episódios que revelam a sua admiração pela Tropa: “Um desses episódios refere-se à chegada do primeiro grande contingente de tropas a Luanda, facto que ainda hoje muito me emociona. O outro, já bastante mais descontraído, verificou-se numa das minhas intervenções profissionais no respeitante ao fornecimento de combustíveis a unidades militares”. E remata assim: “Foram casos como estes e tantos outros vividos durante aqueles anos de guerra, que me levaram a ter um especial carinho pela Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, a que muito me honra pertencer”.


A Associação presente em Tondela


A convite da Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar, com sede em Tondela, a Associação de Combatentes do Concelho de Arganil vai estar representada ao mais alto nível nos 28 anos de existência daquela Associação e, ao mesmo tempo, participará na inauguração do edifício que se destina a gabinete médico. Este departamento fica instalado na antiga escola primária daquela cidade, sendo esta oferecida, há anos, àquela instituição pela Câmara Municipal, através de assinatura protocolar.
Assim, no dia 12 de Setembro de 2010, as celebrações têm início às 9 horas, com concentração na sede (ao mercado); 10 horas, inauguração do Gabinete Médico; 10.30 horas, homenagem aos mortos, com concentração junto ao Monumento na Rotunda dos Combatentes; 11 horas, Sessão Solene no Auditório Municipal; 12 horas, missa celebrada em memória dos Combatentes, na Igreja do Carmo; 13 horas, almoço no Pavilhão junto ao Estádio João Cardoso. As comemorações têm o seu culminar pelas 16 horas, com convívio na sede.
Podem ver o programa completo AQUI:
http://www.faroldanossaterra.net/antigos-combatentes-do-ultramar-vao-ter-um-gabinete-de-apoio-medico-em-tondela/#comment-3741

O gesto é de realçar

Como se tem falado e escrito, as obras da sede da nossa Associação consumiram alguns milhares de euros. Com o crer de muitos, particularmente das autarquias locais, corpos sociais, sócios e amigos, essas obras foram concretizadas, com a angariação de fundos.
A certa altura do caminho, deviam-se algumas centenas de milhar. Para que os fornecedores e firmas encarregadas dos trabalhos de maior envergadura não estivessem à espera, foi o Presidente da Associação, Leonel Costa, que emprestou 3 mil euros à Associação. Por via disso, na altura ficou aprovado em acta e após aprovação em reunião de Direcção que fosse estipulado um juro dessa importância. Como na última reunião de 2 de Agosto de 2010, depois do tesoureiro, José Gomes, ter informado que já tinha liquidado o empréstimo em questão, frisou que o Presidente prescindiu dos juros, que somados, seriam algumas dezenas de euros.
Tendo em consideração este gesto magnânimo, os corpos sociais presentes aplaudiram com elevação esta disposição do ofertante, que, aliás, e vinque-se bem, foi um dos principais entusiastas da restauração da sede.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Associação esteve presente na festa do Mont'Alto

Desde há uns anos a esta parte que os corpos sociais da Associação tiveram a ideia de estarem presentes com uma barraca de comes-e-bebes na Festa do dia 15 de Agosto. Não só permitiria angariar fundos para colmatar as despesas absorvidas com as obras de restauração da sede, como seria também um espaço de convívio para todos: quer para os Combatentes, seus familiares e amigos.

A ideia tornou-se numa forte realidade. Embora com algum sacrifício, a barraca tem-se montado e tem proporcionado bons frutos, particularmente em termos de convivência e de festa.

Como sempre, o Sr. Presidente da Câmara, Eng. Ricardo Pereira Alves, um amigo de coração dos Combatentes (não tivesse sido seu pai também um combatente), não deixa de visitar a nossa “tenda de campanha”, convivendo aberta e simplesmente com todos.

Nossa Senhora do Mont’Alto e os Combatentes

Durante as guerras coloniais, raro era o Arganilense que não fosse ao Mont’Alto pedir a bênção à Santa, que consideram sua padroeira, enquanto durasse a sua permanência em terras africanas; e quando regressava são e salvo, subia novamente ao monte para Lhe agradecer o voto de confiança e de fé que lhe havia transmitido na sua partida.

Ainda hoje, mesmo que tenham já decorrido mais de cinco décadas, os Combatentes continuam a afirmar a sua devoção para com a sua santa protectora, pois de quando em vez, nas procissões, carregam com a imagem aos ombros, como prova do seu amor a Nossa Senhora do Mont’Alto.

Aliás, mesmo não sendo Combatente, todo o Arganilense e mesmo os demais que habitam para lá das fronteiras da paróquia, sentem forte fé na nossa padroeira, não falando dos ausentes, que a maior parte não falha, sobretudo incorporando-se na majestosa Procissão de Velas.

O “Mexicano” veio até nós

Já lá vão quase quarenta anos que o “Mexicano” abalou para as terras de França, depois de ter combatido na Guiné. Primeiro vestiu as camisolas do Grupo Desportivo Argus e depois do Clube de Oliveira do Hospital. Como nesta cidade (antes ainda vila) se enamorou, casou e lá foi ele para as terras gaulesas.

Embora viesse quase todos os anos passar férias, só agora foi possível reunir-se com a sua malta da escola, o que quer dizer dos tempos da sua juventude. E nada melhor do que durante o convívio de aniversário da Associação.

Como é de calcular, o saudosismo foi mais forte e por isso as lágrimas tiveram de correr rosto abaixo.

De seu nome natural Carlos Afonso Gomes (à direita na foto, com os amigos e vizinhos de vivência, os irmãos José e António Vasconcelos), esperamos que na próxima oportunidade nos visite com mais tempo e possamos todos conviver com mais força, a fim de colocarmos a conversa em dia.

Um grande abraço e boa sorte… “Mexicano”!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O que se passou no almoço Aniversário


Mostragem fotográfica do Almoço de Aniversário, realizado no passado dia 8 de Agosto, no Restaurante Mont'Alto.
Derivado ao alto grau fotogénico de alguns elementos, os mesmo podem não parecer quem são.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Façam chegar fotografias, louvores ou… “porradas” etc.


Em reunião recente da Associação, ficou decidido que aos Combatentes em geral, lhes tenham sido atribuídos louvores, os façam chegar à sede da Associação, para que a memória dos que viveram as guerras, seja mais uma acha enriquecedora para o Museu da Associação. Basta tirarem uma fotocópia em A4 e entregarem-na: ou pessoalmente, no estabelecimento do Zé Gomes (Elsil), ou pelo correio – Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, Bairro do Prazo – 3300-017 Arganil.

Como tudo é memória e história, também seria interessante que se algum foi sujeito a castigo (“porrada” em gíria militar), também o remetesse pela mesma via.

Note-se que por vezes aconteceu militares serem punidos com castigos e logo a seguir serem louvados. Ambas as normas eram lidas das ordens de serviço.

Outro veterano Combatente que não falta


Embora na vida civil, o Eng. Francisco Leitão, em 1961, quando rebentou a rebelião dos nativos no Norte de Angola, foi um combatente acérrimo em defesa dos fazendeiros e dos que trabalhavam para eles, nas grandes roças do café, do chá, do algodão, etc. Vestiu farda e soube honrá-la, em nome da sua pátria, tendo também ele orgulho de ser português.
Hoje, o Engenheiro Leitão, natural de Secarias, com a idade que está a rondar a nona década, não deixa de estar presente também nos eventos da Associação. Sendo uma figura de uma sensibilidade e educação extremas, onde a educação e a simplicidade falam alto, todos lhe dedicam vénias de agradecimento por conviver com todos em horas que são gradas para os Combatentes, particularmente para a Associação.

Dois antigos Combatentes que lutaram na Índia

São dois Combatentes que não deixam de estar presentes nas iniciativas da Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, como ainda recentemente aconteceu, nas comemorações do oitavo aniversário da instituição, Albino Paulino e Anselmo Costa, ambos combatentes na Índia, em 1960-1961.

São duas figuras que orgulham a Associação, pois o seu espólio e as suas narrativas do tempo em que estiveram naquela antiga possessão portuguesa, são de molde a enriquecer a história da Associação, já que esta presença portuguesa em terras indianas foi diferente das guerras africanas, já que estavam no terreno outras culturas, outro povo, outras formas de viver e de lutar, onde a religião também marcou, tanto mais tendo calcorreado por aqueles paragens grandes missionários portugueses dos tempos áureos dos Descobrimentos, como Francisco Xavier, José Anchieta, Francisco de Assis, grandes Portugueses que ainda hoje é recordada a sua passagem por terras de Goa, Damão e Diu e não só.

Pois bem, estas duas figuras honram todos com a sua presença, estimulando a Associação para continuar a desenvolver mecanismos tanto culturais como sociais, tendo em mente a sua Direcção promover a breve trecho o apoio a sócios ou combatentes que vão sentindo na carne o stress de guerra ou outras mazelas provocadas pelas guerras que duraram entre 1961 e 1974.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Em dia de aniversário Combatentes reforçam memória

A Associação de Combatentes do Concelho de Arganil, ao celebrar mais um aniversário – o oitavo – primou para que, a partir do passado dia 8 deste mês de Agosto, na sua sede, no Bairro do Prazo, inseria na emblemática Casa do Cantoneiro, cujas obras de restauração foram inauguradas no ano passado, a memória continue a estar acesa, através do enriquecimento do Museu, com novas peças dos três ramos das Forças Armadas, com mais incidência da Marinha, com grande quantidade de antigas e sempre modernas referências, destacando-se uma âncora colocada sobre pedestal granítico, a condizer com a sua força de sustentação. A Força Aérea primou com a disponibilização da cauda de um helicóptero (Alouette III),

que se encontra exposto no átrio da sede, “enfiado” na parede, dando a entender que se despenhou. É um símbolo bastante forte para todos os Combatentes, porque quando em combate, eram estas “aves grandes”, como diziam os negros, que acudiam aos feridos graves, com evacuações para os hospitais mais próximos. É justo dizer que foi graças à Base Aérea de Beja que tal orgulho foi concretizado.

Quanto ao Exército, neste dia de festa, e após diversas e aturadas diligências da Direcção para que a Associação pudesse também mostrar um símbolo que enobrecesse também a referida instituição militar, afinal a que maior número envolveu os Combatentes nos três campos de guerra ultramarinas, não foi possível, porque as burocracias, dentro desta esfera militar ainda não foram sanadas, o que é pena, porque a geração, de 1961 a 1974, defendeu sob as ordens de quem entendia que as nossas províncias deviam ser defendidas, com honra, brio e denodo, defendendo a sua pátria, tendo como força e ânimo “A Portuguesa” e a Bandeira verde rubra, dois símbolos que ainda hoje os Combatentes têm bem juntinho ao seu coração.

Dentro deste contexto, tanto os presidentes da Assembleia-Geral (José Carlos Trindade Ventura) e da Direcção da Associação (Leonel Conceição Costa), no uso da palavra, foram bastante claros quanto a esta situação e chamaram a atenção para alguns graduados do Exército presentes, embora já na reforma, mas certamente ainda com certa influência no ramo, possam ajudar a desanuviar este cenário, a fim de que o Exército, na realidade, seja uma palavra bem marcante na sede da Associação de Combatentes do Concelho de Arganil.


Após o descerramento das fotografias dos presidentes acima referidos, que ficarão a perpetuar a “Galeria dos Presidentes”, no salão da sede e os descerramentos simbólicos do helicóptero e a âncora, o Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues, Presidente da Liga dos Combatentes,
depois de ouvir as palavras um pouco críticas dos anfitriões, fez um discurso de molde a envolver a harmonia entre as diversas instituições e associações, referindo que todos são combatentes, porque se ontem se bateram em campos da batalha, hoje, embora em moldes diferentes, combatem também por Portugal, ajudando a manter a paz, com a mesma nobreza e galhardia de que é caracterizada a raça Portuguesa. Acentuou que os Combatentes estão acima de tudo, sobretudo no campo político.

O Presidente da Câmara Municipal de Arganil, Eng. Ricardo Pereira Alves, um autarca amigo dos Combatentes, pois foi graças à sua intervenção que não só foi entregue à Associação a Casa do Cantoneiro, como colaborou nas obras da sua restauração. Por isso, como referiu, este é um espaço de convívio e de memória, com projecção no futuro, e assim sendo, enfatizou que os Combatentes merecem mais respeito.

Abre-se aqui um parêntesis para recordar, e aproveitando o andamento, das palavras do responsável das comemorações do 10 de Junho de 2010, António Barreto, que defende que as Associações de Veteranos de Guerra devem ser consideradas de Utilidade Pública, e salientou que o país deve respeito aos que fizeram a guerra e ainda, “merecem um Dia do Combatente oficialmente estabelecido” e fazerem parte nas cerimónias públicas e oficiais.

Participaram também nestas cerimónias o Major General Aguda, da Liga dos Combatentes, o comandante Rodrigues Pereira, Director do Museu da Marinha, o Presidente da Junta de Freguesia de Arganil, João Travassos.

E a cerimónia que se seguiu foi a visita ao Monumento dos Combatentes do Concelho, que recorda os falecidos em combate. Nele foram depostas palmas de flores, particularmente da Associação de Arganil, de Tondela e da Federação Portuguesa das Associações de Combatentes, composta por vários elementos, tendo à cabeça o seu Presidente, Dr. António Ferraz.

Abel Fernandes, o responsável do protocolo, leu os inscritos na placa e quando cada nome foi referido, todos em coro retorquiram: “Presente”!


Passados que foram estes momentos de grande solenidade, os convidados e demais presentes dirigiram-se para o Mont’Alto, em cujo restaurante foi servido o bom almoço, almoço que proporcionou a que todos continuassem a viver e a conviver uns com os outros.

E como apontamento final, recorde-se que a fotografia de José Carlos Trindade Ventura foi descerrada pelos três netos; e de Leonel Costa, pela filha. À inauguração simbólica do helicóptero e da âncora, os descerramentos foram feitos, respectivamente, pelo membro da Associação, José Ricardo, paraquedista na Guiné e Presidente da Câmara, e pelo Director do Museu da Marinha e dos “Filhos da Escola”, João Travassos e José Augusto Rodrigues Gomes.


Oportunamente daremos noticias fotograficas do que se passou no Almoço.